MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Atenção à Saúde
Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização
D o c u m e n t o B a s e p a r a G e s t o r e s e T r a b a l h a d o r e s d o S U S
4.ª edição
1.º reimpressão
Série B. Textos Básicos de Saúde
Brasília – DF
2008
SUS
http://dtr2001.saude.gov.br/editora/produtos/livros/genero/s00e.htm
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde
Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde
A carta que você tem nas mãos baseia-se em seis princípios básicos de cidadania.
Juntos, eles asseguram ao cidadão o direito básico ao ingresso digno nos sistemas de
saúde, sejam eles públicos ou privados. A carta é também uma importante ferramenta
para que você
conheça seus direitos e possa ajudar o Brasil a ter um sistema de saúde com muito mais
qualidade.
PRINCÍPIOS DESTA CARTA
1. Todo cidadão tem direito ao acesso ordenado e organizado aos sistemas de
saúde.
2. Todo cidadão tem direito a tratamento adequado e efetivo para seu problema.
3. Todo cidadão tem direito ao atendimento humanizado, acolhedor e livre de
qualquer discriminação.
4. Todo cidadão tem direito a atendimento que respeite a sua pessoa, seus valores e
seus direitos.
5. Todo cidadão também tem responsabilidades para que seu tratamento aconteça
da forma adequada.
6. Todo cidadão tem direito ao comprometimento dos gestores da saúde para que
os princípios anteriores sejam cumpridos.
SE PRECISAR, PROCURE A SECRETARIA DE SAÚDE DO SEU MUNICÍPIO.
Considerando o art. 196 da Constituição Federal, que garante o acesso universal e
igualitário a ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.
Considerando a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições
para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento
dos serviços correspondentes.
Considerando a Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990, que dispõe sobre a
participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as
transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde.
Considerando a necessidade de promover mudanças de atitude em todas as práticas de
atenção e gestão que fortaleçam a autonomia e o direito do cidadão.
O Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Saúde e a Comissão Intergestora
Tripartite apresentam a Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde e convidam todos os
gestores, profissionais de saúde, organizações civis, instituições e pessoas interessadas
para que promovam o respeito destes direitos e assegurem seu reconhecimento efetivo e
sua aplicação.
O PRIMEIRO PRINCÍPIO assegura ao cidadão o acesso ordenado e organizado aos
sistemas de saúde, visando a um atendimento mais justo e eficaz.
Todos os cidadãos têm direito ao acesso às ações e aos serviços de promoção, proteção
e recuperação da saúde promovidos pelo Sistema Único de Saúde:
I. O acesso se dará prioritariamente pelos Serviços de Saúde da Atenção
Básica próximos ao local de moradia.
II. Nas situações de urgência/emergência, o atendimento se dará de forma
incondicional, em qualquer unidade do sistema.
III. Em caso de risco de vida ou lesão grave, deverá ser assegurada a remoção do
usuário em condições seguras, que não implique maiores danos, para um
estabelecimento de saúde com capacidade para recebê-lo.
IV. O encaminhamento à Atenção Especializada e Hospitalar será estabelecido
em função da necessidade de saúde e indicação clínica, levando-se em conta
critérios de vulnerabilidade e risco com apoio de centrais de regulação ou
outros mecanismos que facilitem o acesso a serviços de retaguarda.
V. Quando houver limitação circunstancial na capacidade de atendimento do
serviço de saúde, fica sob responsabilidade do gestor local a pronta
resolução das condições para o acolhimento e devido encaminhamento do
usuário do SUS, devendo ser prestadas informações claras ao usuário sobre
os critérios de priorização do acesso na loVI. As informações sobre os
serviços de saúde contendo critérios de acesso, endereços, telefones, horários
de funcionamento, nome e horário de trabalho dos profissionais das equipes
assistenciais devem estar disponíveis aos cidadãos nos locais onde a
assistência é prestada e nos espaços de controle social.
VI. O acesso de que trata o caputinclui as ações de proteção e prevenção
relativas a riscos e agravos à saúde e ao meio ambiente, as devidas
informações relativas às ações de vigilância sanitária e epidemiológica e os
determinantes da saúde individual e coletiva.
VII. A garantia à acessibilidade implica o fim das barreiras arquitetônicas e de
comunicabilidade, oferecendo condições de atendimento adequadas,
especialmente a pessoas que vivem com deficiências, idosos e gestantes.
O SEGUNDO PRINCÍPIO assegura ao cidadão o tratamento adequado e efetivo para
seu problema, visando à melhoria da qualidade dos serviços prestados.
É direito dos cidadãos ter atendimento resolutivo com qualidade, em função da natureza
do agravo, com garantia de continuidade da atenção, sempre que necessário, tendo
garantidos:
I. Atendimento com presteza, tecnologia apropriada e condições de trabalho
adequadas para os profissionais da saúde.
II. Informações sobre o seu estado de saúde, extensivas aos seus familiares e/ou
acompanhantes, de maneira clara, objetiva, respeitosa, compreensível e
adaptada à condição cultural, respeitados os limites éticos por parte da
equipe de saúde sobre, entre outras:
a) hipóteses diagnósticas;
b) diagnósticos confirmados;
c) exames solicitados;
d) objetivos dos procedimentos diagnósticos, cirúrgicos, preventivos ou
terapêuticos;
e) riscos, benefícios e inconvenientes das medidas diagnósticas e
terapêuticas propostas;
f) duração prevista do tratamento proposto;
g) no caso de procedimentos diagnósticos e terapêuticos invasivos ou
cirúrgicos, a necessidade
h) ou não de anestesia e seu tipo e duração, partes do corpo afetadas pelos
procedimentos, instrumental
i) a ser utilizado, efeitos colaterais, riscos ou conseqüências indesejáveis,
duração prevista dos
j) procedimentos e tempo de recuperação;
k) finalidade dos materiais coletados para exames;
l) evolução provável do problema de saúde;
m) informações sobre o custo das intervenções das quais se beneficiou o
usuário.
III. Registro em seu prontuário, entre outras, das seguintes informações, de
modo legível e atualizado:
a) motivo do atendimento e/ou internação, dados de observação clínica,
evolução clínica,
b) prescrição terapêutica, avaliações da equipe multiprofissional,
procedimentos e cuidados de
c) calidade por ora indisponível. A prioridade deve ser baseada em critérios
de vulnerabilidade clínica e social, sem qualquer tipo de discriminação
ou privilégio.
d) enfermagem e, quando for o caso, procedimentos cirúrgicos e
anestésicos, odontológicos,
e) resultados de exames complementares laboratoriais e radiológicos;
f) b) registro da quantidade de sangue recebida e dados que permitam
identificar sua origem,
g) sorologias efetuadas e prazo de validade;
h) c) identificação do responsável pelas anotações.
IV. O acesso à anestesia em todas as situações em que for indicada, bem como a
medicações e procedimentos que possam aliviar a dor e o sofrimento.
V. O recebimento das receitas e prescrições terapêuticas, que devem conter:
a) o nome genérico das substâncias prescritas;
b) clara indicação da posologia e dosagem;
c) escrita impressa, datilografadas ou digitadas, ou em caligrafia legível;
d) textos sem códigos ou abreviaturas;
e) o nome legível do profissional e seu número de registro no órgão de
controle
e regulamentação da profissão;
f) a assinatura do profissional e data.
VI. O acesso à continuidade da atenção com o apoio domiciliar, quando
pertinente, treinamento em autocuidado que maximize sua autonomia ou
acompanhamento em centros de reabilitação psicossocial ou em serviços de
menor ou maior complexidade assistencial.
VII. Encaminhamentos para outras unidades de saúde, observando:
a) caligrafia legível ou datilografados/digitados ou por meio eletrônico;
b) resumo da história clínica, hipóteses diagnósticas, tratamento
realizado, evolução e o motivodo encaminhamento;
c) a não utilização de códigos ou abreviaturas;
d) nome legível do profissional e seu número de registro no órgão de
controle regulamentação da profissão, assinado e datado;
e) identificação da unidade de referência e da unidade referenciada.
O TERCEIRO PRINCÍPIO assegura ao cidadão o atendimento acolhedor e livre de
discriminação, visando à igualdade de tratamento e a uma relação mais pessoal e
saudável. É direito dos cidadãos atendimento acolhedor na rede de serviços de saúde de
forma humanizada, livre de qualquer discriminação, restrição ou negação em função de
idade, raça, cor, etnia, orientação sexual, identidade de gênero, características genéticas,
condições econômicas ou sociais, estado de saúde, ser portador de patologia ou pessoa
vivendo com deficiência, garantindo-lhes:
I. A identificação pelo nome e sobrenome, devendo existir em todo documento
de identificação do usuário um campo para se registrar o nome pelo qual
prefere ser chamado, independentemente do registro civil, não podendo ser
tratado por número, nome da doença, códigos, de modo genérico,
desrespeitoso ou preconceituoso.
II. Profissionais que se responsabilizem por sua atenção, identificados por meio
de crachás visíveis, legíveis ou por outras formas de identificação de fácil
percepção.
III. Nas consultas, procedimentos diagnósticos, preventivos, cirúrgicos,
terapêuticos e internações, o respeito a:
a) integridade física;
b) privacidade e conforto;
c) individualidade;
d) seus valores éticos, culturais e religiosos;
e) confidencialidade de toda e qualquer informação pessoal;
f) segurança do procedimento;
g) bem-estar psíquico e emocional.
IV. O direito ao acompanhamento por pessoa de sua livre escolha nas consultas,
exames e internações, no momento do pré-parto, parto e pós-parto e em
todas as situações previstas em lei (criança, adolescente, pessoas vivendo
com deficiências ou idoso). Nas demais situações, ter direito a
acompanhante e/ou visita diária, não inferior a duas horas durante as
internações, ressalvadas as situações técnicas não indicadas.
V. Se criança ou adolescente, em casos de internação, continuidade das
atividades escolares, bem como desfrutar de alguma forma de recreação.
VI. A informação a respeito de diferentes possibilidades terapêuticas de acordo
com sua condição clínica, considerando as evidências científicas e a relação
custo-benefício das alternativas de tratamento, com direito à recusa, atestado
na presença de testemunha.
VII. A opção pelo local de morte.
VIII. O recebimento, quando internado, de visita de médico de sua referência, que
não pertença àquela unidade hospitalar, sendo facultado a esse profissional o
acesso ao prontuário.
O QUARTO PRINCÍPIO assegura ao cidadão o atendimento que respeite os valores e
direitos do paciente, visando a preservar sua cidadania durante o tratamento. O respeito
à cidadania no Sistema de Saúde deve ainda observar os seguintes direitos:
I. Escolher o tipo de plano de saúde que melhor lhe convier, de acordo com as
exigências mínimas constantes na legislação, e ter sido informado pela
operadora da existência e disponibilidade do plano referência.
I. O sigilo e a confidencialidade de todas as informações pessoais, mesmo após
a morte, salvo de risco à saúde pública.
II. Acesso a qualquer momento, do paciente ou terceiro por ele autorizado, a
seu prontuário e aos dados nele registrados, bem como ter garantido o
encaminhamento de cópia a outra unidade de saúde, em caso de
transferência.
III. Recebimento de laudo médico, quando solicitar.
IV. Consentimento ou recusa de forma livre, voluntária e esclarecida, depois de
adequada informação, a quaisquer procedimentos diagnósticos, preventivos
ou terapêuticos, salvo se isso acarretar risco à saúde pública. O
consentimento ou a recusa dados anteriormente poderão ser revogados a
qualquer instante, por decisão livre e esclarecida, sem que lhe sejam
imputadas sanções morais, administrativas ou legais.
V. Não ser submetido a nenhum exame, sem conhecimento e consentimento,
nos locais de trabalho (pré-admissionais ou periódicos), nos
estabelecimentos prisionais e de ensino, públicos ou privados.
VI. A indicação de um representante legal de sua livre escolha, a quem confiará
a tomada de decisões para a eventualidade de tornar-se incapaz de exercer
sua autonomia.
VII. Receber ou recusar assistência religiosa, psicológica e social.
VIII. Ter liberdade de procurar segunda opinião ou parecer de outro profissional
ou serviço sobre seu estado de saúde ou sobre procedimentos recomendados,
em qualquer fase do tratamento.
IX. Ser prévia e expressamente informado quando o tratamento proposto for
experimental ou fizer parte de pesquisa, decidindo de forma livre e
esclarecida, sobre sua participação.
X. Saber o nome dos profissionais que trabalham nas unidades de saúde, bem
como dos gerentes e/ou diretores e gestor responsável pelo serviço.
XI. Ter acesso aos mecanismos de escuta para apresentar sugestões, reclamações
e denúncias aos gestores e às gerências das unidades prestadoras de serviços
de saúde e àsouvidorias, sendo respeitada a privacidade, o sigilo e a
confidencialidade.
XII. Participar dos processos de indicação e/ou eleição de seus representantes nas
conferências, nos conselhos nacional, estadual, do Distrito Federal,
municipal e regional ou distrital de saúde e conselhos gestores de serviços.
O QUINTO PRINCÍPIO assegura as responsabilidades que o cidadão também deve ter
para que seu tratamento aconteça de forma adequada.
Todo cidadão deve se comprometer a:
I. Prestar informações apropriadas nos atendimentos, nas consultas e nas
internações sobre queixas, enfermidades e hospitalizações anteriores, história
de uso de medicamentos e/ou drogas, reações alérgicas e demais indicadores
de sua situação de saúde.
I. Manifestar a compreensão sobre as informações e/ou orientações recebidas
e, caso subsistam dúvidas, solicitar esclarecimentos sobre elas.
II. Seguir o plano de tratamento recomendado pelo profissional e pela equipe de
saúde responsável pelo seu cuidado, se compreendido e aceito, participando
ativamente do projeto terapêutico.
III. Informar ao profissional de saúde e/ou à equipe responsável sobre qualquer
mudança inesperada de sua condição de saúde.
IV. Assumir responsabilidades pela recusa a procedimentos ou tratamentos
recomendados e pela inobservância das orientações fornecidas pela equipe
de saúde.
V. Contribuir para o bem-estar de todos que circulam no ambiente de saúde,
evitando principalmente ruídos, uso de fumo, derivados do tabaco e bebidas
alcoólicas, colaborando com a limpeza do ambiente.
VI. Adotar comportamento respeitoso e cordial com os demais usuários e
trabalhadores da saúde.
VII. Ter sempre disponíveis para apresentação seus documentos e resultados de
exames que permanecem em seu poder.
VIII. Observar e cumprir o estatuto, o regimento geral ou outros regulamentos do
espaço de saúde, desde que estejam em consonância com esta carta.
IX. Atentar para situações da sua vida cotidiana em que sua saúde esteja em
risco e as possibilidades de redução da vulnerabilidade ao adoecimento.
X. Comunicar aos serviços de saúde ou à vigilância sanitária irregularidades
relacionadas ao uso e à oferta de produtos e serviços que afetem a saúde em
ambientes públicos e privados.
XI. Participar de eventos de promoção de saúde e desenvolver hábitos e atitudes
saudáveis que melhorem a qualidade de vida.
O SEXTO PRINCÍPIO assegura o comprometimento dos gestores para que os
princípios anteriores sejam cumpridos. Os gestores do SUS, das três esferas de governo,
para observância desses princípios, se comprometem a:
I. Promover o respeito e o cumprimento desses direitos e deveres com a
adoção de medidas progressivas para sua efetivação.
II. Adotar as providências necessárias para subsidiar a divulgação desta carta,
inserindo em suas ações as diretrizes relativas aos direitos e deveres dos
usuários, ora formalizada.
III. Incentivar e implementar formas de participação dos trabalhadores e
usuários nas instâncias e nos órgãos de controle social do SUS.
IV. Promover atualizações necessárias nos regimentos e estatutos dos serviços
de saúde, adequando-os a esta carta.
V. Adotar formas para o cumprimento efetivo da legislação e normatizações do
sistema de saúde.
I – RESPONSABILIDADE PELA SAÚDE DO CIDADÃO
Compete ao município “prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do
estado, serviços de atendimento à saúde da população” – Constituição da República
Federativa do Brasil, art. 30, item VII.
II – RESPONSABILIDADES PELA GESTÃO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
– LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE 1990
A. DOS GOVERNOS MUNICIPAIS E DO DISTRITO FEDERAL:
1 – Gerenciar e executar os serviços públicos de saúde.
2 – Celebrar contratos com entidades prestadoras de serviços privados de saúde, bem
como avaliar sua execução.
3 – Participar do planejamento, programação e organização do SUS em articulação com
o gestor estadual.
4 – Executar serviços de vigilância epidemiológica, sanitária, de alimentação e nutrição,
de saneamento básico e de saúde do trabalhador.
5 – Gerir laboratórios públicos de saúde e hemocentros.
6 – Celebrar contratos e convênios com entidades prestadoras de serviços privados de
saúde, assim como controlar e avaliar sua execução.
7 – Participar do financiamento e garantir o fornecimento de medicamentos básicos.
B. DOS GOVERNOS ESTADUAIS E DO DISTRITO FEDERAL:
1. Acompanhar, controlar e avaliar as redes assistenciais do SUS.
2. Prestar apoio técnico e financeiro aos municípios.
3. Executar diretamente ações e serviços de saúde na rede própria.
4. Gerir sistemas públicos de alta complexidade de referência estadual e regional.
5. Acompanhar, avaliar e divulgar os seus indicadores de morbidade e mortalidade.
6. Participar do financiamento da assistência farmacêutica básica e adquirir e
distribuir os medicamentos de alto custo em parceria com o governo federal.
7. Coordenar e, em caráter complementar, executar ações e serviços de vigilância
epidemiológica, vigilância sanitária, alimentação e nutrição e saúde do
trabalhador.
8. Implementar o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados
juntamente com a União e municípios.
9. Coordenar a rede estadual de laboratórios de saúde pública e hemocentros.
C. DO GOVERNO FEDERAL:
1. Prestar cooperação técnica e financeira aos estados, municípios e Distrito
Federal.
2. Controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a
saúde.
3. Formular, avaliar e apoiar políticas nacionais no campo da saúde.
4. Definir e coordenar os sistemas de redes integradas de alta complexidade de rede
de laboratórios de saúde pública, de vigilância sanitária e epidemiológica.
5. Estabelecer normas e executar a vigilância sanitária de portos, aeroportos e
fronteiras em parceria com estados e municípios.
6. Participar do financiamento da assistência farmacêutica básica e adquirir e
distribuir para
7. os estados os medicamentos de alto custo.
8. Implementar o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados
juntamente com estados e municípios.
9. Participar na implementação das políticas de controle das agressões ao meio
ambiente, de saneamento básico e relativas às condições e aos ambientes de
trabalho.
10. Elaborar normas para regular as relações entre o SUS e os serviços privados
contratados de assistência à saúde.
11. Auditar, acompanhar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde,
respeitadas as competências estaduais e municipais.
A CARTA DOS DIREITOS DOS USUÁRIOS DA SAÚDE FOI ELABORADA EM
CONSENSO PELOS GOVERNOS FEDERAL,
ESTADUAIS E MUNICIPAIS E PELO CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE.
A carta que você tem nas mãos baseia-se em seis princípios básicos de cidadania.
Juntos, eles asseguram ao cidadão o direito básico ao ingresso digno nos sistemas de
saúde, sejam eles públicos ou privados. A carta é também uma importante ferramenta
para que você
conheça seus direitos e possa ajudar o Brasil a ter um sistema de saúde com muito mais
qualidade.
PRINCÍPIOS DESTA CARTA
1. Todo cidadão tem direito ao acesso ordenado e organizado aos sistemas de
saúde.
2. Todo cidadão tem direito a tratamento adequado e efetivo para seu problema.
3. Todo cidadão tem direito ao atendimento humanizado, acolhedor e livre de
qualquer discriminação.
4. Todo cidadão tem direito a atendimento que respeite a sua pessoa, seus valores e
seus direitos.
5. Todo cidadão também tem responsabilidades para que seu tratamento aconteça
da forma adequada.
6. Todo cidadão tem direito ao comprometimento dos gestores da saúde para que
os princípios anteriores sejam cumpridos.
SE PRECISAR, PROCURE A SECRETARIA DE SAÚDE DO SEU MUNICÍPIO.
Considerando o art. 196 da Constituição Federal, que garante o acesso universal e
igualitário a ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.
Considerando a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições
para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento
dos serviços correspondentes.
Considerando a Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990, que dispõe sobre a
participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as
transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde.
Considerando a necessidade de promover mudanças de atitude em todas as práticas de
atenção e gestão que fortaleçam a autonomia e o direito do cidadão.
O Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Saúde e a Comissão Intergestora
Tripartite apresentam a Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde e convidam todos os
gestores, profissionais de saúde, organizações civis, instituições e pessoas interessadas
para que promovam o respeito destes direitos e assegurem seu reconhecimento efetivo e
sua aplicação.
O PRIMEIRO PRINCÍPIO assegura ao cidadão o acesso ordenado e organizado aos
sistemas de saúde, visando a um atendimento mais justo e eficaz.
Todos os cidadãos têm direito ao acesso às ações e aos serviços de promoção, proteção
e recuperação da saúde promovidos pelo Sistema Único de Saúde:
I. O acesso se dará prioritariamente pelos Serviços de Saúde da Atenção
Básica próximos ao local de moradia.
II. Nas situações de urgência/emergência, o atendimento se dará de forma
incondicional, em qualquer unidade do sistema.
III. Em caso de risco de vida ou lesão grave, deverá ser assegurada a remoção do
usuário em condições seguras, que não implique maiores danos, para um
estabelecimento de saúde com capacidade para recebê-lo.
IV. O encaminhamento à Atenção Especializada e Hospitalar será estabelecido
em função da necessidade de saúde e indicação clínica, levando-se em conta
critérios de vulnerabilidade e risco com apoio de centrais de regulação ou
outros mecanismos que facilitem o acesso a serviços de retaguarda.
V. Quando houver limitação circunstancial na capacidade de atendimento do
serviço de saúde, fica sob responsabilidade do gestor local a pronta
resolução das condições para o acolhimento e devido encaminhamento do
usuário do SUS, devendo ser prestadas informações claras ao usuário sobre
os critérios de priorização do acesso na loVI. As informações sobre os
serviços de saúde contendo critérios de acesso, endereços, telefones, horários
de funcionamento, nome e horário de trabalho dos profissionais das equipes
assistenciais devem estar disponíveis aos cidadãos nos locais onde a
assistência é prestada e nos espaços de controle social.
VI. O acesso de que trata o caputinclui as ações de proteção e prevenção
relativas a riscos e agravos à saúde e ao meio ambiente, as devidas
informações relativas às ações de vigilância sanitária e epidemiológica e os
determinantes da saúde individual e coletiva.
VII. A garantia à acessibilidade implica o fim das barreiras arquitetônicas e de
comunicabilidade, oferecendo condições de atendimento adequadas,
especialmente a pessoas que vivem com deficiências, idosos e gestantes.
O SEGUNDO PRINCÍPIO assegura ao cidadão o tratamento adequado e efetivo para
seu problema, visando à melhoria da qualidade dos serviços prestados.
É direito dos cidadãos ter atendimento resolutivo com qualidade, em função da natureza
do agravo, com garantia de continuidade da atenção, sempre que necessário, tendo
garantidos:
I. Atendimento com presteza, tecnologia apropriada e condições de trabalho
adequadas para os profissionais da saúde.
II. Informações sobre o seu estado de saúde, extensivas aos seus familiares e/ou
acompanhantes, de maneira clara, objetiva, respeitosa, compreensível e
adaptada à condição cultural, respeitados os limites éticos por parte da
equipe de saúde sobre, entre outras:
a) hipóteses diagnósticas;
b) diagnósticos confirmados;
c) exames solicitados;
d) objetivos dos procedimentos diagnósticos, cirúrgicos, preventivos ou
terapêuticos;
e) riscos, benefícios e inconvenientes das medidas diagnósticas e
terapêuticas propostas;
f) duração prevista do tratamento proposto;
g) no caso de procedimentos diagnósticos e terapêuticos invasivos ou
cirúrgicos, a necessidade
h) ou não de anestesia e seu tipo e duração, partes do corpo afetadas pelos
procedimentos, instrumental
i) a ser utilizado, efeitos colaterais, riscos ou conseqüências indesejáveis,
duração prevista dos
j) procedimentos e tempo de recuperação;
k) finalidade dos materiais coletados para exames;
l) evolução provável do problema de saúde;
m) informações sobre o custo das intervenções das quais se beneficiou o
usuário.
III. Registro em seu prontuário, entre outras, das seguintes informações, de
modo legível e atualizado:
a) motivo do atendimento e/ou internação, dados de observação clínica,
evolução clínica,
b) prescrição terapêutica, avaliações da equipe multiprofissional,
procedimentos e cuidados de
c) calidade por ora indisponível. A prioridade deve ser baseada em critérios
de vulnerabilidade clínica e social, sem qualquer tipo de discriminação
ou privilégio.
d) enfermagem e, quando for o caso, procedimentos cirúrgicos e
anestésicos, odontológicos,
e) resultados de exames complementares laboratoriais e radiológicos;
f) b) registro da quantidade de sangue recebida e dados que permitam
identificar sua origem,
g) sorologias efetuadas e prazo de validade;
h) c) identificação do responsável pelas anotações.
IV. O acesso à anestesia em todas as situações em que for indicada, bem como a
medicações e procedimentos que possam aliviar a dor e o sofrimento.
V. O recebimento das receitas e prescrições terapêuticas, que devem conter:
a) o nome genérico das substâncias prescritas;
b) clara indicação da posologia e dosagem;
c) escrita impressa, datilografadas ou digitadas, ou em caligrafia legível;
d) textos sem códigos ou abreviaturas;
e) o nome legível do profissional e seu número de registro no órgão de
controle
e regulamentação da profissão;
f) a assinatura do profissional e data.
VI. O acesso à continuidade da atenção com o apoio domiciliar, quando
pertinente, treinamento em autocuidado que maximize sua autonomia ou
acompanhamento em centros de reabilitação psicossocial ou em serviços de
menor ou maior complexidade assistencial.
VII. Encaminhamentos para outras unidades de saúde, observando:
a) caligrafia legível ou datilografados/digitados ou por meio eletrônico;
b) resumo da história clínica, hipóteses diagnósticas, tratamento
realizado, evolução e o motivodo encaminhamento;
c) a não utilização de códigos ou abreviaturas;
d) nome legível do profissional e seu número de registro no órgão de
controle regulamentação da profissão, assinado e datado;
e) identificação da unidade de referência e da unidade referenciada.
O TERCEIRO PRINCÍPIO assegura ao cidadão o atendimento acolhedor e livre de
discriminação, visando à igualdade de tratamento e a uma relação mais pessoal e
saudável. É direito dos cidadãos atendimento acolhedor na rede de serviços de saúde de
forma humanizada, livre de qualquer discriminação, restrição ou negação em função de
idade, raça, cor, etnia, orientação sexual, identidade de gênero, características genéticas,
condições econômicas ou sociais, estado de saúde, ser portador de patologia ou pessoa
vivendo com deficiência, garantindo-lhes:
I. A identificação pelo nome e sobrenome, devendo existir em todo documento
de identificação do usuário um campo para se registrar o nome pelo qual
prefere ser chamado, independentemente do registro civil, não podendo ser
tratado por número, nome da doença, códigos, de modo genérico,
desrespeitoso ou preconceituoso.
II. Profissionais que se responsabilizem por sua atenção, identificados por meio
de crachás visíveis, legíveis ou por outras formas de identificação de fácil
percepção.
III. Nas consultas, procedimentos diagnósticos, preventivos, cirúrgicos,
terapêuticos e internações, o respeito a:
a) integridade física;
b) privacidade e conforto;
c) individualidade;
d) seus valores éticos, culturais e religiosos;
e) confidencialidade de toda e qualquer informação pessoal;
f) segurança do procedimento;
g) bem-estar psíquico e emocional.
IV. O direito ao acompanhamento por pessoa de sua livre escolha nas consultas,
exames e internações, no momento do pré-parto, parto e pós-parto e em
todas as situações previstas em lei (criança, adolescente, pessoas vivendo
com deficiências ou idoso). Nas demais situações, ter direito a
acompanhante e/ou visita diária, não inferior a duas horas durante as
internações, ressalvadas as situações técnicas não indicadas.
V. Se criança ou adolescente, em casos de internação, continuidade das
atividades escolares, bem como desfrutar de alguma forma de recreação.
VI. A informação a respeito de diferentes possibilidades terapêuticas de acordo
com sua condição clínica, considerando as evidências científicas e a relação
custo-benefício das alternativas de tratamento, com direito à recusa, atestado
na presença de testemunha.
VII. A opção pelo local de morte.
VIII. O recebimento, quando internado, de visita de médico de sua referência, que
não pertença àquela unidade hospitalar, sendo facultado a esse profissional o
acesso ao prontuário.
O QUARTO PRINCÍPIO assegura ao cidadão o atendimento que respeite os valores e
direitos do paciente, visando a preservar sua cidadania durante o tratamento. O respeito
à cidadania no Sistema de Saúde deve ainda observar os seguintes direitos:
I. Escolher o tipo de plano de saúde que melhor lhe convier, de acordo com as
exigências mínimas constantes na legislação, e ter sido informado pela
operadora da existência e disponibilidade do plano referência.
I. O sigilo e a confidencialidade de todas as informações pessoais, mesmo após
a morte, salvo de risco à saúde pública.
II. Acesso a qualquer momento, do paciente ou terceiro por ele autorizado, a
seu prontuário e aos dados nele registrados, bem como ter garantido o
encaminhamento de cópia a outra unidade de saúde, em caso de
transferência.
III. Recebimento de laudo médico, quando solicitar.
IV. Consentimento ou recusa de forma livre, voluntária e esclarecida, depois de
adequada informação, a quaisquer procedimentos diagnósticos, preventivos
ou terapêuticos, salvo se isso acarretar risco à saúde pública. O
consentimento ou a recusa dados anteriormente poderão ser revogados a
qualquer instante, por decisão livre e esclarecida, sem que lhe sejam
imputadas sanções morais, administrativas ou legais.
V. Não ser submetido a nenhum exame, sem conhecimento e consentimento,
nos locais de trabalho (pré-admissionais ou periódicos), nos
estabelecimentos prisionais e de ensino, públicos ou privados.
VI. A indicação de um representante legal de sua livre escolha, a quem confiará
a tomada de decisões para a eventualidade de tornar-se incapaz de exercer
sua autonomia.
VII. Receber ou recusar assistência religiosa, psicológica e social.
VIII. Ter liberdade de procurar segunda opinião ou parecer de outro profissional
ou serviço sobre seu estado de saúde ou sobre procedimentos recomendados,
em qualquer fase do tratamento.
IX. Ser prévia e expressamente informado quando o tratamento proposto for
experimental ou fizer parte de pesquisa, decidindo de forma livre e
esclarecida, sobre sua participação.
X. Saber o nome dos profissionais que trabalham nas unidades de saúde, bem
como dos gerentes e/ou diretores e gestor responsável pelo serviço.
XI. Ter acesso aos mecanismos de escuta para apresentar sugestões, reclamações
e denúncias aos gestores e às gerências das unidades prestadoras de serviços
de saúde e àsouvidorias, sendo respeitada a privacidade, o sigilo e a
confidencialidade.
XII. Participar dos processos de indicação e/ou eleição de seus representantes nas
conferências, nos conselhos nacional, estadual, do Distrito Federal,
municipal e regional ou distrital de saúde e conselhos gestores de serviços.
O QUINTO PRINCÍPIO assegura as responsabilidades que o cidadão também deve ter
para que seu tratamento aconteça de forma adequada.
Todo cidadão deve se comprometer a:
I. Prestar informações apropriadas nos atendimentos, nas consultas e nas
internações sobre queixas, enfermidades e hospitalizações anteriores, história
de uso de medicamentos e/ou drogas, reações alérgicas e demais indicadores
de sua situação de saúde.
I. Manifestar a compreensão sobre as informações e/ou orientações recebidas
e, caso subsistam dúvidas, solicitar esclarecimentos sobre elas.
II. Seguir o plano de tratamento recomendado pelo profissional e pela equipe de
saúde responsável pelo seu cuidado, se compreendido e aceito, participando
ativamente do projeto terapêutico.
III. Informar ao profissional de saúde e/ou à equipe responsável sobre qualquer
mudança inesperada de sua condição de saúde.
IV. Assumir responsabilidades pela recusa a procedimentos ou tratamentos
recomendados e pela inobservância das orientações fornecidas pela equipe
de saúde.
V. Contribuir para o bem-estar de todos que circulam no ambiente de saúde,
evitando principalmente ruídos, uso de fumo, derivados do tabaco e bebidas
alcoólicas, colaborando com a limpeza do ambiente.
VI. Adotar comportamento respeitoso e cordial com os demais usuários e
trabalhadores da saúde.
VII. Ter sempre disponíveis para apresentação seus documentos e resultados de
exames que permanecem em seu poder.
VIII. Observar e cumprir o estatuto, o regimento geral ou outros regulamentos do
espaço de saúde, desde que estejam em consonância com esta carta.
IX. Atentar para situações da sua vida cotidiana em que sua saúde esteja em
risco e as possibilidades de redução da vulnerabilidade ao adoecimento.
X. Comunicar aos serviços de saúde ou à vigilância sanitária irregularidades
relacionadas ao uso e à oferta de produtos e serviços que afetem a saúde em
ambientes públicos e privados.
XI. Participar de eventos de promoção de saúde e desenvolver hábitos e atitudes
saudáveis que melhorem a qualidade de vida.
O SEXTO PRINCÍPIO assegura o comprometimento dos gestores para que os
princípios anteriores sejam cumpridos. Os gestores do SUS, das três esferas de governo,
para observância desses princípios, se comprometem a:
I. Promover o respeito e o cumprimento desses direitos e deveres com a
adoção de medidas progressivas para sua efetivação.
II. Adotar as providências necessárias para subsidiar a divulgação desta carta,
inserindo em suas ações as diretrizes relativas aos direitos e deveres dos
usuários, ora formalizada.
III. Incentivar e implementar formas de participação dos trabalhadores e
usuários nas instâncias e nos órgãos de controle social do SUS.
IV. Promover atualizações necessárias nos regimentos e estatutos dos serviços
de saúde, adequando-os a esta carta.
V. Adotar formas para o cumprimento efetivo da legislação e normatizações do
sistema de saúde.
I – RESPONSABILIDADE PELA SAÚDE DO CIDADÃO
Compete ao município “prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do
estado, serviços de atendimento à saúde da população” – Constituição da República
Federativa do Brasil, art. 30, item VII.
II – RESPONSABILIDADES PELA GESTÃO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
– LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE 1990
A. DOS GOVERNOS MUNICIPAIS E DO DISTRITO FEDERAL:
1 – Gerenciar e executar os serviços públicos de saúde.
2 – Celebrar contratos com entidades prestadoras de serviços privados de saúde, bem
como avaliar sua execução.
3 – Participar do planejamento, programação e organização do SUS em articulação com
o gestor estadual.
4 – Executar serviços de vigilância epidemiológica, sanitária, de alimentação e nutrição,
de saneamento básico e de saúde do trabalhador.
5 – Gerir laboratórios públicos de saúde e hemocentros.
6 – Celebrar contratos e convênios com entidades prestadoras de serviços privados de
saúde, assim como controlar e avaliar sua execução.
7 – Participar do financiamento e garantir o fornecimento de medicamentos básicos.
B. DOS GOVERNOS ESTADUAIS E DO DISTRITO FEDERAL:
1. Acompanhar, controlar e avaliar as redes assistenciais do SUS.
2. Prestar apoio técnico e financeiro aos municípios.
3. Executar diretamente ações e serviços de saúde na rede própria.
4. Gerir sistemas públicos de alta complexidade de referência estadual e regional.
5. Acompanhar, avaliar e divulgar os seus indicadores de morbidade e mortalidade.
6. Participar do financiamento da assistência farmacêutica básica e adquirir e
distribuir os medicamentos de alto custo em parceria com o governo federal.
7. Coordenar e, em caráter complementar, executar ações e serviços de vigilância
epidemiológica, vigilância sanitária, alimentação e nutrição e saúde do
trabalhador.
8. Implementar o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados
juntamente com a União e municípios.
9. Coordenar a rede estadual de laboratórios de saúde pública e hemocentros.
C. DO GOVERNO FEDERAL:
1. Prestar cooperação técnica e financeira aos estados, municípios e Distrito
Federal.
2. Controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a
saúde.
3. Formular, avaliar e apoiar políticas nacionais no campo da saúde.
4. Definir e coordenar os sistemas de redes integradas de alta complexidade de rede
de laboratórios de saúde pública, de vigilância sanitária e epidemiológica.
5. Estabelecer normas e executar a vigilância sanitária de portos, aeroportos e
fronteiras em parceria com estados e municípios.
6. Participar do financiamento da assistência farmacêutica básica e adquirir e
distribuir para
7. os estados os medicamentos de alto custo.
8. Implementar o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados
juntamente com estados e municípios.
9. Participar na implementação das políticas de controle das agressões ao meio
ambiente, de saneamento básico e relativas às condições e aos ambientes de
trabalho.
10. Elaborar normas para regular as relações entre o SUS e os serviços privados
contratados de assistência à saúde.
11. Auditar, acompanhar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde,
respeitadas as competências estaduais e municipais.
A CARTA DOS DIREITOS DOS USUÁRIOS DA SAÚDE FOI ELABORADA EM
CONSENSO PELOS GOVERNOS FEDERAL,
ESTADUAIS E MUNICIPAIS E PELO CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE.
Aula 7- Segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Nesta segunda feira, fomos contemplados com a presença do Sr. Pissetti e Gilmar (ambos militantes em busca da cidadania e dos direitos humanos no campo municipal). Os dois dividiram com o coletivo suas histórias em busca da democracia nos tempos da ditadura militar no Brasil. Tempos difíceis marcados por desafios constantes, prisões, tortura e a luta em busca da liberdade de expressão. Também são fundadores das associações de moradores de bairros e partilharam a importancia da participação popular nestas esferas políticas, principalmente os jovens e estudantes, que neste mundo globalizado e consumista, quase não se interessa mais com questões sociais e associações de representação. Essas associações possibilitam de forma democrática a construção de espaços de debate e posteriores escolhas coletivas das atividades, obras, eventos que cada bairro será contemplado com a verba destinada pelo municipio.
Espaços para discussão ajuda a construir um novo mundo e uma nova sociedade.......
Foi muito interessante mesmo!!!!!!!!!!!!
Não nescessita comentários.................
Também recebemos a enfermeira Èrica, que apresentou seu trabalho sobre Humanização no SUS, e falou das políticas nacionais de humanização. Ela apresenta seu trabalho com GTH no município de Farroupilha no RS, suas dificuldades e satisfação com o passar dos meses de trabalho.
Percebemos como é essencial que ocorram programas permanentes e grupos de humanização continuados. Os profissionais e usuários, desta forma podem trocar experiências,saberes e afetos, contemplando as diferenças e se reinventando, saindo da lógica do "engessamento" institucional.
A gurpalidade faz a diferença. Quando pensamos e discutimos em grupo saímos do individualismo e trazemos equipes e usuários para a integração e humanização conjunta. Precisamos como profissionais olhar de forma ética, estática e política, pois a vida só se transforma, quando novas realidades se transformam no sujeito.
Encontrei esse vídeo da turma de pós em Saúde Mental....muito legal a construção.........
Espaços para discussão ajuda a construir um novo mundo e uma nova sociedade.......
Foi muito interessante mesmo!!!!!!!!!!!!
Não nescessita comentários.................
Também recebemos a enfermeira Èrica, que apresentou seu trabalho sobre Humanização no SUS, e falou das políticas nacionais de humanização. Ela apresenta seu trabalho com GTH no município de Farroupilha no RS, suas dificuldades e satisfação com o passar dos meses de trabalho.
Percebemos como é essencial que ocorram programas permanentes e grupos de humanização continuados. Os profissionais e usuários, desta forma podem trocar experiências,saberes e afetos, contemplando as diferenças e se reinventando, saindo da lógica do "engessamento" institucional.
A gurpalidade faz a diferença. Quando pensamos e discutimos em grupo saímos do individualismo e trazemos equipes e usuários para a integração e humanização conjunta. Precisamos como profissionais olhar de forma ética, estática e política, pois a vida só se transforma, quando novas realidades se transformam no sujeito.
Encontrei esse vídeo da turma de pós em Saúde Mental....muito legal a construção.........
Cartilha PNH
Cartilha da PNH
O Ministério da Saúde implementa a Política Nacional de Humanização (PNH) - HumanizaSUS
HumanizaSUS é a proposta para enfrentar o desafio de tornar os princípios do SUS no que eles impõem de mudança dos modelos de atenção e de gestão das práticas de saúde. O ministério da saúde decidiu priorizar o atendimento com qualidade e a participação integrada dos gestores, trabalhadores e usuários na consolidação do sus. Eis a proposta do HumanizaSUS.
Por humanização entendemos a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde. Os valores que norteiam esta política são a autonomia e o protagonismo dos sujeitos, a co-responsabilidade entre eles, o estabelecimento de vínculos solidários, a participação coletiva no processo de gestão e a indissociabilidade entre atenção e gestão.
A PNH não é para nós um mero conjunto de propostas abstratas que esperamos poder tornar concreto. Ao contrário, partimos do sus que dá certo. Para nós, então, se apresenta como uma política construída a partir de experiências concretas que identificamos e queremos multiplicar. Daí a importância da função multiplicadora das "cartilhas da PNH ". Com elas esperamos poder disseminar algumas tecnologias de humanização da atenção e da gestão no campo da saúde. Brasília, 2004
Cartilha da PNH
Gestão e Formação no Processo de Trabalho - Elizabeth Barros, Elizabeth Mori e Solange - Ministério da Saúde, 2004 (Série B: textos básicos de saúde)
Humanização, como política que atravessa todas as instâncias do sus, pretende atuar na descentralização, isto é, na autonomia administrativa da gestão da rede de serviços, de maneira a integrar os processos de trabalho e as relações entre os diferentes profissionais. Para tanto, cabe às equipes se prepararam para lidar com a dimensão subjetiva dos sujeitos nas práticas do cotidiano profissional.
Esta cartilha pretende contribuir na qualificação dos trabalhadores, especialmente no que se refere a efetivação de uma gestão que inclui a participação dos profissionais nas unidades de saúde. Mais especificamente, na consolidação dos seguintes princípios norteadores da política de humanização:
1 - construção de autonomia e capacidade de realização e liderança dos sujeitos e coletivos implicados na rede do sus
2 - responsabilidade conjunta desses sujeitos nos processos de gestão e atenção
Para tanto, algumas marcas precisam ser afirmadas:
O trabalho é tudo que efetivamente se realiza e o esforço que se despende nas atividades do dia-a-dia profissional para o trabalhador dar conta do que acordou com o gestor da área em que está alocado e com os demais companheiros de trabalho.
As prescrições são as regras que definem como trabalho deve ser realizado. No entanto, as situações cotidianas, os imprevistos, nem sempre são definidos pelas prescrições. Para dar conta da realidade complexa do trabalho, os trabalhadores são convocados a criar, a improvisar ações, a construir o curso de suas ações, a inventar o melhor modo de trabalhar, a maneira mais adequada de realizar o trabalho de forma a atender os diversos contextos específicos.
Os trabalhadores costumam adotar um determinado tipo de organização do trabalho: uma forma específica de agir, de se relacionar com os colegas e estabelecimento de regras específicas na divisão de tarefas. Além disso, o trabalho é constituído por um conjunto de atividades simultâneas, que possuem características diferentes e são exercidas por trabalhadores de diversas áreas, com saberes e experiências específicas. A atividade do trabalho, portanto, é submetida a uma regulação que se efetiva na interação entre os trabalhadores, numa dinâmica que perpassa diferentes pontos de vista particulares.
No processo de trabalho, os trabalhadores "usam de si", ou seja, utilizam suas potencialidades de acordo com o que lhes é exigido. A cada situação que se coloca, o trabalhador elabora estratégias que revelam a inteligência que é própria de todo trabalho humano. Portanto, o trabalhador também é gestor e produtor de saberes e novidades. Trabalhar é gerir, é gerir junto com os outros.
A criação implica experimentação constante, maneiras diferentes de fazer. Assim, evita-se fazer a tarefa de forma mecânica, em um processo de aprendizagem e desaprendizagem permanente, uma vez que questiona as prescrições que constrói outros modos de trabalhar para dar conta de uma situação nova e imprevisível.
O trabalho nunca é neutro em relação a saúde. Ele ocupa um lugar privilegiado na luta contra doença, suas origens, sintomas e natureza. Promover saúde nos locais de trabalho é aprimorar essa capacidade de compreender e analisar o trabalho de forma a em fazer circular a palavra, criando espaços para debates coletivos. A gestão coletiva das situações de trabalho é critério fundamental para promoção de saúde. Trata-se de compreender as situações nas quais os sujeitos trabalhadores afirmam sua capacidade de intervenção no processo de tomada de decisões no âmbito das organizações de saúde.
Comunidade Ampliada de Pesquisa: CAP
Como dissemos, a saúde é entendida como a capacidade dos humanos em produzir novas normas (ser normativo) frente as diversidade que se lhe apresentam no mundo. E compreender as situações do cotidiano profissional é um dos objetivos de um processo de formação no trabalho.
Nesse fazendo e aprendendo, os próprios trabalhadores percebem-se como produtores de conhecimento. Aprende-se a fazer inventando, segundo um processo de aprendizagem contínua, de desconstrução de saberes, valores, concepções e sujeitos. Trata-se de inventar pela prática de tateio, de experimentação, de problematização das formas já dadas.
No âmbito da PNH estamos buscando novas relações entre trabalhadores da área de saúde - atores principais do processo de trabalho nos diferentes estabelecimentos de saúde - e aqueles que - também trabalhadores - especializaram em disciplinas científicas neste campo de conhecimento, ou seja, novas relações entre os cientistas e profissionais de saúde.
A este novo tipo de relação, de encontro e de diálogo crítico entre o pólo dos saberes presentes nas disciplinas e os pólos de saberes colocados em prática e desenvolvidos no cotidiano de trabalho, deu-se o nome de CAP - Comunidade Ampliada de Pesquisa - que faz parte do PFST - Programa de Formação em Saúde e Trabalho, que a Política de Humanização do Ministério da Saúde está colocando como prioridade no âmbito dos processos de trabalho nos estabelecimentos de atenção à saúde.
Na CAP afirmamos que é possível que estes trabalhadores (com ou sem informação científica) tenham um diálogo produtivo com as diferentes disciplinas científicas. A história da organização dos trabalhadores na luta por mudanças nos locais de trabalho tem confirmado que essa prática é possível e obtém sucesso.
É uma estratégia que se consolida no esforço coletivo, a partir da leitura de textos sobre o mundo do trabalho e como este pode se tornar um risco para a saúde.
O saber construído nas CAPs, a partir da experiência no trabalho, incorpora-se à produção de outros conhecimentos já constituídos, transformando-os em uma fonte de percepção e de interpretação da vida no trabalho, das causas dos acidentes, doenças e mortes aí geradas. Trata-se de um processo educativo que necessita ser construído de forma organizada, coletiva e que exige um tipo de envolvimento diferente dos participantes, numa realidade dinâmica e complexa.
Orientados inicialmente por pessoas que fazem a ligação entre esses diferentes saberes, cada trabalhador que participa do PFST tornar-se-á um multiplicador. Do seu próprio jeito, apropria-se criticamente dos conceitos e descobertas científicas, faz os próprios estudos sobre a sua realidade de trabalho e apresenta suas descobertas na participação das discussões da Comunidade Ampliada de Pesquisa.
Sabemos que não há saber neutro, mas que todo saber é político. Ou seja, o conhecimento não é mediação e, sim, produtor de realidade. O conhecimento, então, não está entre um sujeito que aprende e um mundo a ser descoberto. Não. O conhecimento produz sujeitos e mundos.
Potencializados, os trabalhadores desmancham as categorias "apto" ou "inapto", "competente" ou "incompetente" e a sua divisão técnica e social do trabalho em suas especialidades. Este movimento aponta para um elevado índice de saúde.
O Ministério da Saúde vem apoiando a realização de CAPs em espaços de trabalho cujos gestores encontram-se convencidos que a implementação das marcas da PNH os auxiliará no estabelecimento de um ambiente favorável às necessidades, tanto dos trabalhadores quanto dos usuários. Para isso, é necessário que algumas horas de trabalho da equipe sejam destinadas às oficinas para o exame de fatores que podem gerar riscos à saúde.
Vejamos um exemplo:
Num hospital da cidade do Rio de Janeiro (RJ), depois de participarem dos módulos de leitura e discussão dos textos do PFST, os participantes escolheram o tema da dinâmica das relações interpessoais (em diversos níveis: entre pares, entre chefes e subordinados, entre trabalhadores e usuários) para ser investigado pela CAP. Este aspecto foi colocado em primeiro lugar como foco de análise, pois estava gerando sofrimento no cotidiano profissional deste espaço hospitalar.
Para auxiliá-los nesta análise, foi construído um instrumento de pesquisa e roteiro de observação participativa. Estes avaliaram: a comunicação entre todos e todas, a capacitação profissional e a valorização / reconhecimento do trabalhador por parte das chefia.
O resultado da pesquisa possibilitou a construção de propostas que passaram a interferir positivamente nos espaços do dia-a-dia daquele hospital.
Cartilha da PNH
Grupo de Trabalho e Humanização: Raquel Teixeira Lima e Stella Maris Chebli - Ministério da Saúde, 2004 (Série B: textos básicos de saúde)
O Grupo de Trabalho de Humanização (GTH) é um grupo de pessoas interessadas em discutir o próprio serviço em que trabalham, ou que utilizam. Pretende discutir também as relações estabelecidas entre eles, e de que maneira esse serviço pode funcionar para melhorar o processo de trabalho e a qualidade da produção de saúde para todos.
Todos podem participar desse grupo, sejam profissionais de saúde, técnicos, funcionários de apoio, coordenadores e também usuários. Participam todos os interessados na construção de propostas para promover tanto ações humanizadoras que melhorem o cuidado em saúde, quanto às inter-relações das equipes e a democratização institucional na unidade de prestação de serviço ou nos órgãos de várias instâncias do sus. A participação dos gestores nos GTH mostra que dão grande importância à construção coletiva da política pública de saúde.
A idéia é dar uma parada no trabalho do dia-a-dia, abrindo espaço para um processo de reflexão coletiva sobre o próprio trabalho, onde todos têm o mesmo direito de dizer o que pensam, de criticar, de propor mudanças no funcionamento do serviço e nos modos de gestão.
É um espaço para aproximar as pessoas, para compartilhar as tensões sofridas no cotidiano, as dificuldades do trabalho, e debater as diferenças, os sonhos de mudança, e buscar, através da análise e da negociação, propostas que permitam de fato que as melhorias desejadas aconteçam.
Algumas vezes o trabalhador da saúde já está tão acostumado ao seu trabalho, à sua rotina com o seu vínculo junto à instituição, que não consegue pensar em novas situações. O trabalho em grupo pode ajudar, proporcionando um ambiente favorável para buscar novas idéias e implementar propostas coletivamente. No entanto, é importante que o grupo respeite seu próprio tempo de construção, pois amadurecer idéias e laços é necessário antes de decidir o que fazer junto.
Diferentes visões sobre o mesmo problema ajudam a ampliar a percepção das diversas dimensões implicadas. Na verdade, é um exercício de trabalho em conjunto, um esforço de co-gestão na direção das mudanças necessárias.
Nesse sentido, no GTH:
- os componentes do grupo podem experimentar alternadamente ao longo dos encontros algumas funções, como: a coordenação dos trabalhos, a observação do andamento e dos impasses do grupo, a articulação da pauta de assuntos, o registro da reunião, etc.
- subgrupos podem se constituir temporariamente para elaborar propostas específicas de intervenção, preparar temas a serem apresentados ou para divulgar os trabalhos
- pessoas podem ser convidadas para ajudar a refletir sobre um assunto específico ou para coordenar uma atividade particular, como um trabalho corporal ou lúdico, etc.
- Como melhorar ou qualificar a prestação do serviço?
- Como é trabalhar em equipe nesse serviço? Existem equipes de fato?
- Como são as relações com os colegas de trabalho? E com os chefes?
- Qual o pior lugar para se trabalhar? E para ser atendido? O que os torna tão difícil de serem mudados?
- Como se da relação entre os profissionais e os familiares dos pacientes atendidos?
- Que projetos coletivos já existiram e foram benéficos, mas pararam, e quais estão sendo desenvolvidos e precisam ser fortalecidos?
- Como articular projetos setoriais interessantes dentro da instituição?
- Que parcerias seriam necessárias para melhorar a resolução dos problemas?
- Qual o nível de participação dos trabalhadores nas decisões do serviço?
- Como e por quem são tomadas as decisões, e quem define as regras e normas de cada setor?
- Quais são as normas sem sentidos que continuamos acatando?
O GTH propõe que os encontros sejam realizados num período definido e organiza uma agenda de prioridades para debates. Não há um tempo pré-definido para a duração de um GTH, ele pode durar anos e / ou se desdobrar em outros tipos de grupos ou propor outras ações.
Vejamos o caminho percorrido por um GTH para constituir-se como grupo:
A direção de um determinado serviço resolveu estimular a criação do GTH e convidou os funcionários para que fizessem uma primeira reunião, onde seriam discutidos: sua finalidade e seus objetivos, seu modo de operar, a periodicidade de encontros e a definição de uma coordenação dos trabalhos.
Nesse primeiro encontro, um funcionário perguntou por que só alguns haviam sido convidados, o que lhe causara certo mal-estar em relação aos outros colegas de trabalho. Surgiram em seguida algumas idéias para que a participação no grupo fosse ampliada, com a possibilidade de que pessoas interessadas tivessem acesso aos encontros. As análises feitas pelo grupo contribuíam para seguinte decisão, tomada por consenso: antes do próximo encontro, seria enviado (grampeado junto com o contracheque) a todos os funcionários da organização, um comunicado explicando a proposta do grupo de humanização, e ao mesmo tempo convidando aqueles que se sentissem motivados a participar da reunião seguinte. Definiu-se então uma dupla de funcionários que se responsabilizaria por elaborar o comunicado, imprimi-lo e fazê-lo chegar a todos. Também foi feito um cartaz para estimular os trabalhadores a conversarem entre si sobre o tema Humanização.
Nas reuniões seguintes, muitas pessoas vieram para o grupo com expectativas muito variadas e contribuições também diversas. Alguns encontros foram necessários para construir os objetivos, esclarecer e debater o modo de se trabalhar no grupo, bem como os critérios para participação, de forma a não causar desassistência em nenhum setor.
Aos poucos, algumas características dos encontros foram se transformando: a fala, que inicialmente tinha um tom predominante de queixas, denúncias, insatisfações de muitas naturezas, deu lugar a recuperação de idéias e projetos antigos, que haviam dado certo, ou eram reconhecidos como sendo importantes para usuários e trabalhadores, mas por algum motivo haviam sido paralisados. Passávamos então por uma fase de análise da instituição, aliada à produção de novas idéias e projetos, além da recuperação de projetos anteriores considerados humanizadores.
Ao longo dos primeiros seis meses de existência desse GTH, algumas pessoa se mantiveram como um núcleo mais persistente do grupo, e outros foram mudando: alguns novos chegavam, participavam de alguns encontros, e depois não continuavam. Pensamos que este é um caminho necessário e produtivo, pois o grupo mesmo vai se construindo a partir das entradas e saídas, e das constâncias. Ele vai adquirindo a sua própria cara, que é única, entre todos os GTHs existentes. Além disso, a confiança que vai sendo paulatinamente construída em seu interior possibilita que as pessoas falem de si mesmas, do trabalho e das relações de uma outra forma. O grau de aprofundamento de análise da realidade também era estimulado pela ação de pessoas convidadas e do próprio grupo, através da oferta de textos, oficinas e outros, para ampliar o conhecimento sobre questões em debate no grupo.
O trabalho ao longo do tempo adquiriu novas faces: momentos de maior reflexão, alternados com momentos de ações práticas (pesquisas, ações concretas e focalizadas). Assim foram surgindo propostas para melhorar a qualidade do atendimento, do acolhimento, para diminuir o tempo de espera para a resolução dos problemas, para aumentar a participação dos trabalhadores nos processos de tomada de decisão, para aumentar o grau de satisfação de trabalhadores e usuários.
Cartilha da PNH
Acolhimento com Classificação de Risco: Claudia Abbês e Altair Massaro - Brasília, Ministério da Saúde, 2004. (Série B: textos básicos de saúde)
Acolhimento é uma ação técnico-assistencial que pressupõe a mudança da relação profissional / usuário através de parâmetros técnicos, éticos, comunitários e de solidariedade.
O acolhimento é um modo de operar os processos de trabalho em saúde de forma a atender a todos que procuram os serviços de saúde, ouvindo seus pedidos e assumindo no serviço uma postura capaz de acolher, escutar e dar respostas mais adequadas aos usuários. Implica prestar um atendimento com resolubilidade e responsabilização, orientando, quando for o caso, o paciente e a família em relação a outros serviços de saúde para a continuidade da assistência e estabelecendo articulações com estes serviços para garantir o sucesso desses encaminhamentos.
"Constatar os problemas de saúde e tomá-los como desafio não é suficiente para imprimir as mudanças que possam traduzir a saúde como direito e patrimônio público da sociedade" (Merhey et al, 1999)
É preciso estabelecer no cotidiano o princípio da universalidade do acesso. Todos os cidadãos devem poder ter acesso aos serviços de saúde e a responsabilização das instâncias públicas pela saúde dos indivíduos. Isto deve ser implementado com a subseqüente constituição de vínculos entre os profissionais e a população, empenhando-se na construção coletiva de estratégias que promovam mudanças nas práticas do serviço, onde a defesa e afirmação de uma vida digna de ser vivida sejam adotadas como lema.
Tradicionalmente, a noção de acolhimento no campo da saúde tem sido identificada:
- ora a uma dimensão espacial, que se traduz em recepção administrativa e ambiente confortável;
- ora a uma ação de triagem administrativa e repasse de encaminhamentos para serviços especializados.
Ambas as noções têm sua importância, entretanto, quando tomadas isoladamente dos processos de trabalho em saúde, se restringem a uma ação pontual, isolada e descomprometida com os processos de responsabilização e produção de vínculo. Nesta definição tradicional de acolhimento, o objetivo principal é o repasse do problema, tendo como foco a doença e não o sujeito e suas necessidades.
Desdobra-se daí a questão do acesso aos serviços que, de modo geral, é organizado a partir das filas por ordem de chegada, sem avaliação do potencial de risco e agravo. Acresce-se a isto o fato de que alguns profissionais de saúde atendem preferencialmente uma clientela cativa em horários restritos, funcionando à moda privada, e num modelo centrado na figura do médico, sem ação de vínculo e responsabilidade.
Este funcionamento demonstra a lógica perversa na qual grande parte dos serviços de saúde vem se apoiando para o desenvolvimento do trabalho cotidiano. Lógica esta, que tem produzido falta de estímulo dos profissionais, necessidade de eles terem que se desdobrar em diferentes ocupações para suprir a falta de uma remuneração justa, menor qualidade da capacitação técnica pela não inserção do conjunto de profissionais ligados à assistência, a não integração de diferentes setores e projetos e a não articulação com a rede de serviços no sistema de encaminhamento de usuários a serviços especializados.
O que vemos é que este funcionamento tem produzido sofrimento e baixa na qualidade de vida não só dos usuários, mas também dos profissionais de saúde. A reversão deste processo nos convoca ao desafio de construirmos alianças éticas com a produção da vida, onde o compromisso singular com os sujeitos, usuários e profissionais de saúde esteja no centro desse processo.
O acolhimento como estratégia nos processos de trabalho
O acolhimento não é um espaço ou local, mas uma postura ética. Desse modo, ele não se constitui como uma etapa do processo, mas como uma ação que deve ocorrer em todos os locais e momentos do serviço de saúde. Colocar em ação o acolhimento como diretriz operacional requer uma nova atitude de mudança no fazer em saúde e implica:
- uma reorganização do serviço de saúde a partir da problematização dos processos de trabalho, de modo a possibilitar a intervenção de toda a equipe multiprofissional encarregada da escuta e resolução do problema do usuário;
- mudanças estruturais na forma de gestão do serviço de saúde, ampliando os espaços democráticos de discussão e decisão, de escuta, trocas e decisões coletivas;
- uma postura de escuta e compromisso em dar respostas às necessidades de saúde trazidas pelo usuário;
- construir coletivamente propostas com a equipe local e com a rede de serviços e gerências centrais e distritais.
Acolher com a intenção de resolver os problemas de saúde das pessoas que procuram uma unidade de saúde pressupõe que todas as pessoas que procuram a unidade, por demanda espontânea, deverão ser acolhidas por profissional da equipe técnica.
O profissional deve escutar a queixa, identificar riscos em situações problemáticas (escuta qualificada) e se responsabilizar para dar uma resposta ao problema. Neste funcionamento, o acolhimento deixa de ser uma ação pontual e isolada dos processos de produção de saúde e se multiplica em inúmeras outras ações que, partindo do complexo encontro do sujeito profissional de saúde e sujeito demandante, possibilitam analisar:
. a adequação da área física
. as formas de organização dos serviços de saúde
. a governabilidade das equipes locais
. a humanização das relações em serviço
. os modelos de gestão vigentes na unidade de saúde
. o ato da escuta / do ato da bondade
. o uso ou não de saberes para melhoria da qualidade das ações de saúde e o quanto estes saberes estão a favor da vida
O acolhimento com classificação de risco como dispositivo tecnológico e as mudanças possíveis no trabalho de atenção e produção de saúde.
O acolhimento como dispositivo técnico-assistencial permite refletir e mudar os modos de operar a assistência, pois questiona as relações clínicas no trabalho em saúde, os modelos de atenção e gestão e as relações de acesso aos serviços. Tais indagações objetivam:
- a melhoria do acesso dos usuários aos serviços de saúde mudando a forma tradicional de entrada por filas e ordem de chegada;
- a humanização das relações entre profissionais de saúde e usuários no que se refere à forma de escutar este usuário em seus problemas e demandas;
- uma abordagem integral a partir de parâmetros humanitários de solidariedade e cidadania;
- o aperfeiçoamento do trabalho em equipe com a integração e complementaridade das atividades exercidas por cada categoria profissional, buscando orientar o atendimento dos usuários aos serviços de saúde por riscos apresentados, complexidade do problema, grau de saber e tecnologias exigidas para a solução;
- o aumento da responsabilização dos profissionais de saúde em relação aos usuários e elevação dos graus de vínculo e confiança entre eles;
- a operacionalização de uma clínica ampliada.
Neste entendimento, o acolhimento com classificação de risco configura-se como uma das intervenções potencialmente decisivas na reorganização e implementação da promoção da saúde em rede, pois em sua implementação extrapola o espaço de gestão local afirmando, no cotidiano das práticas em saúde, a coexistência das macro e micropolíticas.
Alguns pontos críticos deste processo:
- Ampliar o acesso sem sobrecarregar as equipes, sem prejudicar a qualidade das ações, e sem transformar o serviço de saúde em excelente produtor de procedimentos.
- Superar a prática tradicional, centrada na exclusividade da dimensão biológica, de modo que amplie a escuta e que recoloque a perspectiva humana na interação entre profissionais de saúde e usuários.
- Reconfigurar o trabalho médico no sentido de superar o papel central que ele vem ocupando e integrá-lo no trabalho da equipe. Garantir que o médico compartilhe seu saber para um ganho na potência dos atos das demais categorias.
- Transformar o processo de trabalho nos serviços de saúde, no sentido de aumentar a capacidade dos trabalhadores de extinguir os problemas, identificar riscos de agravos, e adequar respostas à complexidade de problemas trazidos pelos usuários. Além disso, potencializar profissionais comuns e especializados, sem extrapolar as competências inerentes ao exercício profissional de cada categoria.
- Explicitar e discutir a proposta com a população, conjunto de profissionais e atores políticos de forma a ampliar a escuta para os pontos assinalados e as críticas na construção de novos saberes em saúde.
Algumas ferramentas teóricas disponíveis:
- Fluxograma analisador: "Diagrama em que se desenha um certo modo de organizar os processos de trabalho que se vinculam entre si em torno de uma certa cadeia de produção." (Merhy, E.)
- Foto das entradas no processo, etapas percorridas, saídas e resultados alcançados: análise do caso. Funciona como ferramenta para reflexão da equipe sobre como é o trabalho do dia-a-dia dos serviços.
- Oficinas de discussão e construção de ações com assento no trabalho grupal multiprofissional com a participação de equipe local e / ou consultorias externas.
- Elaboração de protocolos: sob a ótica da intervenção multiprofissional na qualificação da assistência, legitimando: inserção do conjunto de profissionais ligados à assistência, humanização do atendimento, identificação de risco por todos os profissionais, definição de prioridades e padronização de medicamentos.
Classificação de risco:
A classificação de risco é um processo dinâmico de identificação dos pacientes que necessitam de tratamento imediato, de acordo com o potencial de risco, agravos à saúde ou grau de sofrimento.
Justificativa:
Com a crescente demanda e procura de serviços de urgência e emergência, observou-se um enorme fluxo de circulação desordenada dos usuários nas portas do pronto-socorro, tornando-se necessária a reorganização do processo de trabalho deste serviço de saúde de forma a atender os diferentes graus de especificidade e resolubilidade na assistência realizada aos agravos agudos, de forma que a assistência prestada fosse de acordo com diferentes graus de necessidades ou sofrimentos e não mais impessoal e por ordem de chegada.
Objetivos da classificação de risco:
- Avaliar o paciente logo na chegada ao pronto-socorro, humanizando o atendimento
- Descongestionar o pronto-socorro
- Reduzir o tempo para atendimento médico, fazendo com que o paciente seja visto precocemente de acordo com a sua gravidade
- determinar a área de atendimento primário, devendo o paciente ser encaminhado diretamente às especialidades conforme protocolo. Exemplo: ortopedia, ambulatórios, etc
- informar os tempos de espera
- retornarem informações a familiares
Pré-requisitos necessários à implantação da central de acolhimento e classificação de risco:
- Estabelecimento de fluxos, protocolos de atendimento e classificação de risco.
- Qualificação das equipes de acolhimento e classificação de risco (recepção, enfermagem, orientadores de fluxo, segurança)
- Sistema de informações para o agendamento de consultas ambulatoriais e encaminhamentos específicos
- quantificação dos atendimentos diários e perfil da clientela e horários de pico
- adequação da estrutura física e logística das seguintes áreas de atendimento básico:
. área de emergência
. área de pronto atendimento
Emergência:
A área de Emergência, nesta lógica, deve ser pensada também por nível de complexidade, desta forma utilizando recursos tecnológicos e força de trabalho das equipes, atendendo ao usuário segundo sua necessidade específica.
- área vermelha: área devidamente equipada e destinada ao recebimento, avaliação e a estabilização das urgências e emergências clínicas e traumáticas. Após a estabilização, estes pacientes serão encaminhados para as seguintes áreas:
. área amarela: área destinada à assistência de pacientes críticos e semi-críticos, já com terapêutica de estabilização iniciada
. área verde: área destinada a pacientes não críticos, em observação ou internados, aguardando vaga nas unidades de internação ou remoção para outros hospitais de retaguarda.
Pronto Atendimento:
- área azul: área destinada ao atendimento de consultas de baixa e média complexidade
. área de acolhimento com fluxo obrigatório na chegada
. área física que favoreça a visão dos que esperam por atendimento de baixa complexidade, seguindo-se os conceitos de ambiência
. consultório de enfermagem, classificação de risco e procedimentos iniciais com os seguintes materiais para o atendimento às eventuais urgências:
monitor e eletrocardiógrafo
oxímetro de pulso
glucosímetro
ambú adulto e infantil
material de intubação adulto e infantil e
material de punção venosa
drogas e soluções de emergência
prancha longa e colar cervical
consultórios médicos
serviço social
sala de administração de medicamentos e inaloterapia
consultório para avaliação de especialidades
Central de Acolhimento com classificação de risco:
O usuário ao procurar o Pronto Atendimento, deverá direcionar-se à Central de Acolhimento que terá como objetivos:
- direcionar e organizar o fluxo através da identificação das diversas demandas do usuário
- determinar as áreas de atendimento em nível primário (ortopedia, suturas, consultas)
- acolher pacientes e familiares nas demandas de informações do processo de atendimento, tempo e motivo de espera
Avaliação primária, baseada no protocolo de situação queixa, encaminhando os casos que necessitam para classificação de risco pelo enfermeiro. Importante destacar que esta avaliação pode se dar por explicitação dos usuários ou pela observação de quem acolhe, sendo necessária capacitação específica para este fim, não se entende aqui processo de triagem, pois não se produz conduta e sim direcionamento à classificação de risco.
A Central de Acolhimento tem sua demanda atendida imediatamente, sem precisar esperar consulta médica (procura por exames, consultas ambulatoriais, etc), evitando atendimento médico de forma desnecessária.
Após o atendimento inicial, o paciente é encaminhado para o consultório de enfermagem, onde a classificação de risco é feita baseada nos seguintes dados:
- Situação / Queixa / Duração (QPD)
- breve histórico (relatado pelo próprio paciente, familiar ou testemunhas)
- uso de medicações
- verificação de sinais vitais
- exame físico sumário, buscando sinais objetivos
- verificação da glicemia, eletrocardiograma se necessário
A classificação de risco se dará nos seguintes níveis:
- vermelho: prioridade zero - emergência, necessidade de atendimento imediato
- amarelo: prioridade 1 - urgência, atendimento em no máximo 15 minutos
- verde: prioridade 2 - prioridade não urgente, atendimento em até 30 minutos
- azul: prioridade 3 - consultas de baixa complexidade - atendimento de acordo com o horário de chegada - tempo de espera pode variar até 3 horas de acordo com a demanda desses atendimentos, urgências e emergências.
A identificação das prioridades é feita mediante adesivo colorido colocado no canto superior direito do boletim de emergência.
Um exemplo de protocolo para classificação de risco:
Vermelhos: pacientes que deverão ser encaminhados diretamente à sala vermelha (emergência) devido à necessidade de atendimento imediato.
Situação / Queixa:
- Politraumatizado grave – lesão grave de um ou mais órgãos e sistemas ; ECG <12;
- Queimaduras com mais de 25% de área de superfície corporal queimada ou com problemas respiratórios;
- Trauma Crânio Encefálico grave – ECG < 12 ;
- Estado mental alterado ou em coma ECG < 12; história de uso de drogas;
- Comprometimentos da Coluna Vertebral ;
- Desconforto respiratório grave ;
- Dor no peito associado à falta de ar e cianose (dor em aperto, facada, agulhada com irradiação para um ou ambos os membros superiores, ombro, região cervical e mandíbula, de início súbito, de forte intensidade acompanhada de sudorese, náuseas e vômitos ou queimação epigástrica, acompanhada de perda de consciência, com história anterior de IAM, angina, embolia pulmonar, aneurisma ou diabetes; qualquer dor torácica com duração superior a 30 minutos, sem melhora com repouso).
- Perfurações no peito, abdome e cabeça;
- Crises convulsivas (inclusive pós-crise);
- Intoxicações exógenas ou tentativas de suicídio com Glasgow abaixo de 12 (doze);
- Anafilaxia ou reações alérgicas associadas à insuficiência respiratória ;
- Tentativas de suicídio;
- Complicações de diabetes (hipo ou hiperglicemia);
- Parada cardiorrespiratória;
- Alterações de Sinais Vitais em paciente sintomático.
Pulso > 140 ou < 45
PA diastólica < 130 mmHg
PA sistólica < 80 mmHg
FR > 34 ou < 10
- Hemorragias não controláveis
- Infecções graves – febre, exantema petequial ou púrpura, alteração do nível de consciência.
Há muitas condições e sinais perigosos de alerta, chamadas bandeiras vermelhas, que deverão ser levados em consideração, pois podem representar condições em que o paciente poderá piorar repentinamente.
- Acidentes com veículos motorizados acima de 35 Km/h;
- Forças de desaceleração tais como quedas ou em explosões;
- Perda de consciência, mesmo que momentânea, após acidente;
- Negação violenta das óbvias injúrias graves com pensamentos de fugas e alterações de discurso e, ocasionalmente, com respostas inapropriadas;
- Fraturas da 1 ª e 2ª costela;
- Fraturas 9ª , 10ª , 11ª costela ou mais de três costelas
Possível aspiração
Possível contusão pulmonar
Óbitos no local da ocorrência
Amarelo: pacientes que necessitam de atendimento médico e de enfermagem o mais rápido possível, porém não correm riscos imediatos de vida. Deverão ser encaminhados diretamente à sala de consulta de enfermagem para classificação de risco.
Situação / Queixa:
- Politraumatizado com Glasgow entre 13 e 15 ; sem alterações de sinais vitais;
- Cefaléia intensa de início súbito ou rapidamente progressiva, acompanhada de sinais ou sintomas neurológicos, paraestesias, alterações do campo visual, dislalia, afasia;
- Trauma cranioencefálico leve (ECG entre 13 e 15);
- Diminuição do nível de consciência;
- Alteração aguda de comportamento – agitação, letargia ou confusão mental;
- História de Convulsão / pós ictal – convulsão nas últimas 24 (vinte e quatro) horas;
- Dor torácica intensa;
- Antecedentes com problemas respiratórios, cardiovasculares e metabólicos (diabetes);
- Crise Asmática;
- Diabético apresentando sudorese, alteração do estado mental, visão turva, febre, vômitos, taquipnéia, taquicardia;
- Desmaios;
- Estados de pânico, overdose;
- Alterações de Sinais Vitais em paciente sintomático;
a – FC < 50 ou > 140
b - PA sistólica < 90 ou > 240
c – PA diastólica > 130
d – T < 35 ou. 40
- História recente de melena ou hematêmese ou enterorragia com PA sistólica, 100 ou FC 120.
- Epistaxe com alteração de sinais vitais;
- Dor abdominal intensa com náuseas e vômitos, sudorese , com alteração de sinais vitais (taquicardia ou bradicardia, hipertensão ou hipotensão , febre).
Sangramento vaginal com dor abdominal (...?gravidez)
- Náuseas / Vômitos e diarréia persistente com sinais de desidratação grave – letargia, mucosas ressecadas, turgor pastoso, alteração de sinais vitais;
-Desmaios;
- Febre alta (39/40.º C)
- Fraturas anguladas e luxações com comprometimento neurovascular ou dor intensa;
- Intoxicação exógena sem alteração de sinais vitais, Glasgow de 15;
- Vítimas de abuso sexual;
- Imunodeprimidos com febre .
Verdes: pacientes em condições agudas (urgência relativa) ou não agudas, atendidos com prioridade sobre consultas simples - espera até 30 minutos.
- Idade superior a 60 anos;
- Gestantes com complicações da gravidez;
- Pacientes escoltados;
- Pacientes doadores de sangue;
- Deficientes físicos;
- Retornos com período inferior a 24 horas devido a não melhora do quadro;
- Impossibilidade de deambulação;
- Asma fora de crise;
- Enxaqueca – pacientes com diagnóstico anterior de enxaqueca;
- Dor abdominal sem alteração de sinais vitais;
- Sangramento vaginal sem dor abdominal ou com dor abdominal leve;
- Vômitos e diarréia sem sinais de desidratação;
- História de convulsão sem alteração de consciência;
- Lombalgia intensa;
- Abcessos;
- Distúrbios neurovegetativos;
Intecorrências ortopédicas (entorse suspeita de fraturas, luxações).
Pacientes com ferimentos deverão ser encaminhados diretamente para a sala de sutura.
Azuis: demais condições não enquadradas nas situações / queixas acima
- Queixas crônicas sem alterações agudas;
- Procedimentos como: curativos, trocas ou requisições de receitas médicas, avaliação de resultados de exames, solicitações de atestados médicos.
Após a consulta médica e medicação, o paciente é liberado.
Roteiros: Exemplos de roteiros de avaliação para classificação de risco:
Situação / Queixa: o paciente queixa-se de:
- Cefaléia
- Tontura / fraqueza
- Problemas de coordenação motora
- Trauma cranioencefálico leve / moderado
- Diminuição no nível de consciência / desmaios
- Distúrbios visuais (diplopia, dislalia, escotomas, hianopsia)
- Confusão Mental
- Convulsão
- Paraestesias e paralisias de parte do corpo
História passada de:
- Pressão Arterial Alta; Acidente Vascular Cerebral; Convulsões; Trauma cranioencefálico; Trauma raquimedular; Meningite; Encefalite; Alcoolismo; Drogas.
Medicamentos em uso:
O paciente deverá ser avaliado em relação:
- Nível de consciência: consciente e orientado; consciente desorientado; confusão mental; inquieto
- Discurso: claro; incoerente e desconexo; deturpado; dificuldade de falar; Responsivo ao nome, sacudir, estímulos dolorosos apropriados ou desapropriados
- Pupilas: Fotorreagentes
Isocórica, anisocorica,miose,midríase, ptose palpebral
Movimento ocular para cima e para baixo / esquerda e direita
- Habilidade em movimentar membros superiores e membros inferiores
- Força muscular: Paraestesias / plegias / paresias
Dificuldade de engolir, desvio de rima
Tremores
Convulsões
- Verificação dos sinais vitais: PA, pulso, respiração, temperatura
* Pacientes deverão ser encaminhados para área vermelha.
Avaliação Cardiorrespiratória
Situação/Queixa: pacientes com queixas de
- Tosse produtiva ou não; Dificuldades de respirar / cianose; Resfriado recente; Dor torácica ; intensa (ver mnemônico de avaliação); Fadiga; Edema de extremidades; Taquicardia; Síncope
História passada de :
- Asma / Bronquite; Alergias; Enfisema; Tuberculose; Trauma de tórax; Problemas cardíacos; Antecedentes com problemas cardíacos; Tabagismo
Mnemônico para avaliação da dor torácica: PQRST
- P - O que provocou a dor? O que piora ou melhora?
- Q - Qual a qualidade da dor? Faça com que o paciente descreva a dor, isto é, em pontada, contínua, ao respirar, etc
- R - A dor tem aspectos de radiação? Onde a dor está localizada?
- S - Até que ponto a dor é severa? Faça com que o paciente classifique a dor numa escala de 1 a 10.
- T - Por quanto tempo o paciente está sentindo a dor? O que foi tomado para diminuir a dor?
Associe história médica passada de: doença cardíaca ou pulmonar anterior, hipertensão, diabetes e medicamentos atuais
Sinais vitais: Verifique PA e P. Observe hipotensão, hipertensão, pulso irregular, ritmo respiratório, cianose, perfusão periférica
Procedimentos diagnósticos: monitorização cardíaca e eletrocardiograma, oximetria
Encaminhamento para área vermelha:
- Dor torácica ou abdome superior acompanhada de náuseas, sudorese, palidez
- Dor torácica com alteração hemodinâmica
- Dor torácica e PA sistólica superior ou igual 180, PAD igual ou superior a 120
- Pulso arrítmico ou FC superior a 120 bpm
- Taquidispnéia, cianose, cornagem, estridor (ruídos respiratórios)
- FR menor que 10 ou superior a 22
Classificação de dor abdominal aguda:
- A dor abdominal aguda é uma queixa comum, caracterizando-se como sintoma de uma série de doenças e disfunções.
- Obtém a descrição da dor no que se refere a: localização precisa; aparecimento; duração; qualidade; severidade; manobras provocativas ou paliativas
. sintomas associados: febre, vômitos, diarréia, disúria, secreção vaginal, sangramento
Em mulheres em idade fértil, considerar a história menstrual e tipo de anticoncepção.
Relacione a dor com:
- Ingestão de medicamentos (particularmente antiinflamatórios e aspirina)
- Náuseas e vômitos
- Ingestão de alimentos (colecistite,ulcera)
- Sangramentos
- Disúria / urgência urinária / urina turva / hematúria / sensibilidade supra pública
Observe :
- Palidez, cianose, icterícia ou sinais de choque
- Posição do paciente (exemplo: na cólica renal o paciente se contorce)
- Distensão, movimento da parede abdominal, presença de ascites
- Apalpe levemente atentando para resistências, massas, flacidez e cicatrizes
Sinais vitais: observe hiperventilação ou taquicardia, pressão arterial, temperatura
Procedimentos diagnósticos: análise de urina
Eletrocardiograma: pacientes com história de riscos cardíacos
Encaminhamento para a Área Vermelha :
- Dor mais alteração hemodinâmica
- PAS menor que 90 ou maior que 180 / FC maior que 120 e menor que 50 / PAS > = 180
- Dor mais dispnéia intensa
- Dispnéia intensa
- Vômitos incoercíveis, hemetêmese
Avaliação da saúde mental
- Uma avaliação rápida da saúde mental consiste na avaliação das seguintes aspectos: aparência; comportamento; discurso; pensamento, conteúdo e fluxo; humor; percepção; capacidade cognitiva; história de dependência química
- Aparência: arrumada ou suja; desleixado, desarrumado; roupas apropriadas ou não; movimentos extraoculares
- Comportamento: estranho; ameaçador ou violento; fazendo caretas ou tremores; dificuldades para deambular; agitação
Pensamentos
- Conteúdo: Suicida, Ilusional, Preocupação com o corpo, Preocupação religiosa
- Fluxo: Aleatório, ao acaso; Lógico; Tangencial
- Discurso: velocidade; tom; quantidade
- Humor: triste; alto; bravo; com medo; sofrendo
- Capacidade cognitiva: orientado; memória; função intelectual; insight ou julgamento
- Percepção: baseado na realidade; ilusões; alucinações
- Agitação piscomotora
- Antecedentes psiquiátricos
O Ministério da Saúde implementa a Política Nacional de Humanização (PNH) - HumanizaSUS
HumanizaSUS é a proposta para enfrentar o desafio de tornar os princípios do SUS no que eles impõem de mudança dos modelos de atenção e de gestão das práticas de saúde. O ministério da saúde decidiu priorizar o atendimento com qualidade e a participação integrada dos gestores, trabalhadores e usuários na consolidação do sus. Eis a proposta do HumanizaSUS.
Por humanização entendemos a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde. Os valores que norteiam esta política são a autonomia e o protagonismo dos sujeitos, a co-responsabilidade entre eles, o estabelecimento de vínculos solidários, a participação coletiva no processo de gestão e a indissociabilidade entre atenção e gestão.
A PNH não é para nós um mero conjunto de propostas abstratas que esperamos poder tornar concreto. Ao contrário, partimos do sus que dá certo. Para nós, então, se apresenta como uma política construída a partir de experiências concretas que identificamos e queremos multiplicar. Daí a importância da função multiplicadora das "cartilhas da PNH ". Com elas esperamos poder disseminar algumas tecnologias de humanização da atenção e da gestão no campo da saúde. Brasília, 2004
Cartilha da PNH
Gestão e Formação no Processo de Trabalho - Elizabeth Barros, Elizabeth Mori e Solange - Ministério da Saúde, 2004 (Série B: textos básicos de saúde)
Humanização, como política que atravessa todas as instâncias do sus, pretende atuar na descentralização, isto é, na autonomia administrativa da gestão da rede de serviços, de maneira a integrar os processos de trabalho e as relações entre os diferentes profissionais. Para tanto, cabe às equipes se prepararam para lidar com a dimensão subjetiva dos sujeitos nas práticas do cotidiano profissional.
Esta cartilha pretende contribuir na qualificação dos trabalhadores, especialmente no que se refere a efetivação de uma gestão que inclui a participação dos profissionais nas unidades de saúde. Mais especificamente, na consolidação dos seguintes princípios norteadores da política de humanização:
1 - construção de autonomia e capacidade de realização e liderança dos sujeitos e coletivos implicados na rede do sus
2 - responsabilidade conjunta desses sujeitos nos processos de gestão e atenção
Para tanto, algumas marcas precisam ser afirmadas:
O trabalho é tudo que efetivamente se realiza e o esforço que se despende nas atividades do dia-a-dia profissional para o trabalhador dar conta do que acordou com o gestor da área em que está alocado e com os demais companheiros de trabalho.
As prescrições são as regras que definem como trabalho deve ser realizado. No entanto, as situações cotidianas, os imprevistos, nem sempre são definidos pelas prescrições. Para dar conta da realidade complexa do trabalho, os trabalhadores são convocados a criar, a improvisar ações, a construir o curso de suas ações, a inventar o melhor modo de trabalhar, a maneira mais adequada de realizar o trabalho de forma a atender os diversos contextos específicos.
Os trabalhadores costumam adotar um determinado tipo de organização do trabalho: uma forma específica de agir, de se relacionar com os colegas e estabelecimento de regras específicas na divisão de tarefas. Além disso, o trabalho é constituído por um conjunto de atividades simultâneas, que possuem características diferentes e são exercidas por trabalhadores de diversas áreas, com saberes e experiências específicas. A atividade do trabalho, portanto, é submetida a uma regulação que se efetiva na interação entre os trabalhadores, numa dinâmica que perpassa diferentes pontos de vista particulares.
No processo de trabalho, os trabalhadores "usam de si", ou seja, utilizam suas potencialidades de acordo com o que lhes é exigido. A cada situação que se coloca, o trabalhador elabora estratégias que revelam a inteligência que é própria de todo trabalho humano. Portanto, o trabalhador também é gestor e produtor de saberes e novidades. Trabalhar é gerir, é gerir junto com os outros.
A criação implica experimentação constante, maneiras diferentes de fazer. Assim, evita-se fazer a tarefa de forma mecânica, em um processo de aprendizagem e desaprendizagem permanente, uma vez que questiona as prescrições que constrói outros modos de trabalhar para dar conta de uma situação nova e imprevisível.
O trabalho nunca é neutro em relação a saúde. Ele ocupa um lugar privilegiado na luta contra doença, suas origens, sintomas e natureza. Promover saúde nos locais de trabalho é aprimorar essa capacidade de compreender e analisar o trabalho de forma a em fazer circular a palavra, criando espaços para debates coletivos. A gestão coletiva das situações de trabalho é critério fundamental para promoção de saúde. Trata-se de compreender as situações nas quais os sujeitos trabalhadores afirmam sua capacidade de intervenção no processo de tomada de decisões no âmbito das organizações de saúde.
Comunidade Ampliada de Pesquisa: CAP
Como dissemos, a saúde é entendida como a capacidade dos humanos em produzir novas normas (ser normativo) frente as diversidade que se lhe apresentam no mundo. E compreender as situações do cotidiano profissional é um dos objetivos de um processo de formação no trabalho.
Nesse fazendo e aprendendo, os próprios trabalhadores percebem-se como produtores de conhecimento. Aprende-se a fazer inventando, segundo um processo de aprendizagem contínua, de desconstrução de saberes, valores, concepções e sujeitos. Trata-se de inventar pela prática de tateio, de experimentação, de problematização das formas já dadas.
No âmbito da PNH estamos buscando novas relações entre trabalhadores da área de saúde - atores principais do processo de trabalho nos diferentes estabelecimentos de saúde - e aqueles que - também trabalhadores - especializaram em disciplinas científicas neste campo de conhecimento, ou seja, novas relações entre os cientistas e profissionais de saúde.
A este novo tipo de relação, de encontro e de diálogo crítico entre o pólo dos saberes presentes nas disciplinas e os pólos de saberes colocados em prática e desenvolvidos no cotidiano de trabalho, deu-se o nome de CAP - Comunidade Ampliada de Pesquisa - que faz parte do PFST - Programa de Formação em Saúde e Trabalho, que a Política de Humanização do Ministério da Saúde está colocando como prioridade no âmbito dos processos de trabalho nos estabelecimentos de atenção à saúde.
Na CAP afirmamos que é possível que estes trabalhadores (com ou sem informação científica) tenham um diálogo produtivo com as diferentes disciplinas científicas. A história da organização dos trabalhadores na luta por mudanças nos locais de trabalho tem confirmado que essa prática é possível e obtém sucesso.
É uma estratégia que se consolida no esforço coletivo, a partir da leitura de textos sobre o mundo do trabalho e como este pode se tornar um risco para a saúde.
O saber construído nas CAPs, a partir da experiência no trabalho, incorpora-se à produção de outros conhecimentos já constituídos, transformando-os em uma fonte de percepção e de interpretação da vida no trabalho, das causas dos acidentes, doenças e mortes aí geradas. Trata-se de um processo educativo que necessita ser construído de forma organizada, coletiva e que exige um tipo de envolvimento diferente dos participantes, numa realidade dinâmica e complexa.
Orientados inicialmente por pessoas que fazem a ligação entre esses diferentes saberes, cada trabalhador que participa do PFST tornar-se-á um multiplicador. Do seu próprio jeito, apropria-se criticamente dos conceitos e descobertas científicas, faz os próprios estudos sobre a sua realidade de trabalho e apresenta suas descobertas na participação das discussões da Comunidade Ampliada de Pesquisa.
Sabemos que não há saber neutro, mas que todo saber é político. Ou seja, o conhecimento não é mediação e, sim, produtor de realidade. O conhecimento, então, não está entre um sujeito que aprende e um mundo a ser descoberto. Não. O conhecimento produz sujeitos e mundos.
Potencializados, os trabalhadores desmancham as categorias "apto" ou "inapto", "competente" ou "incompetente" e a sua divisão técnica e social do trabalho em suas especialidades. Este movimento aponta para um elevado índice de saúde.
O Ministério da Saúde vem apoiando a realização de CAPs em espaços de trabalho cujos gestores encontram-se convencidos que a implementação das marcas da PNH os auxiliará no estabelecimento de um ambiente favorável às necessidades, tanto dos trabalhadores quanto dos usuários. Para isso, é necessário que algumas horas de trabalho da equipe sejam destinadas às oficinas para o exame de fatores que podem gerar riscos à saúde.
Vejamos um exemplo:
Num hospital da cidade do Rio de Janeiro (RJ), depois de participarem dos módulos de leitura e discussão dos textos do PFST, os participantes escolheram o tema da dinâmica das relações interpessoais (em diversos níveis: entre pares, entre chefes e subordinados, entre trabalhadores e usuários) para ser investigado pela CAP. Este aspecto foi colocado em primeiro lugar como foco de análise, pois estava gerando sofrimento no cotidiano profissional deste espaço hospitalar.
Para auxiliá-los nesta análise, foi construído um instrumento de pesquisa e roteiro de observação participativa. Estes avaliaram: a comunicação entre todos e todas, a capacitação profissional e a valorização / reconhecimento do trabalhador por parte das chefia.
O resultado da pesquisa possibilitou a construção de propostas que passaram a interferir positivamente nos espaços do dia-a-dia daquele hospital.
Cartilha da PNH
Grupo de Trabalho e Humanização: Raquel Teixeira Lima e Stella Maris Chebli - Ministério da Saúde, 2004 (Série B: textos básicos de saúde)
O Grupo de Trabalho de Humanização (GTH) é um grupo de pessoas interessadas em discutir o próprio serviço em que trabalham, ou que utilizam. Pretende discutir também as relações estabelecidas entre eles, e de que maneira esse serviço pode funcionar para melhorar o processo de trabalho e a qualidade da produção de saúde para todos.
Todos podem participar desse grupo, sejam profissionais de saúde, técnicos, funcionários de apoio, coordenadores e também usuários. Participam todos os interessados na construção de propostas para promover tanto ações humanizadoras que melhorem o cuidado em saúde, quanto às inter-relações das equipes e a democratização institucional na unidade de prestação de serviço ou nos órgãos de várias instâncias do sus. A participação dos gestores nos GTH mostra que dão grande importância à construção coletiva da política pública de saúde.
A idéia é dar uma parada no trabalho do dia-a-dia, abrindo espaço para um processo de reflexão coletiva sobre o próprio trabalho, onde todos têm o mesmo direito de dizer o que pensam, de criticar, de propor mudanças no funcionamento do serviço e nos modos de gestão.
É um espaço para aproximar as pessoas, para compartilhar as tensões sofridas no cotidiano, as dificuldades do trabalho, e debater as diferenças, os sonhos de mudança, e buscar, através da análise e da negociação, propostas que permitam de fato que as melhorias desejadas aconteçam.
Algumas vezes o trabalhador da saúde já está tão acostumado ao seu trabalho, à sua rotina com o seu vínculo junto à instituição, que não consegue pensar em novas situações. O trabalho em grupo pode ajudar, proporcionando um ambiente favorável para buscar novas idéias e implementar propostas coletivamente. No entanto, é importante que o grupo respeite seu próprio tempo de construção, pois amadurecer idéias e laços é necessário antes de decidir o que fazer junto.
Diferentes visões sobre o mesmo problema ajudam a ampliar a percepção das diversas dimensões implicadas. Na verdade, é um exercício de trabalho em conjunto, um esforço de co-gestão na direção das mudanças necessárias.
Nesse sentido, no GTH:
- os componentes do grupo podem experimentar alternadamente ao longo dos encontros algumas funções, como: a coordenação dos trabalhos, a observação do andamento e dos impasses do grupo, a articulação da pauta de assuntos, o registro da reunião, etc.
- subgrupos podem se constituir temporariamente para elaborar propostas específicas de intervenção, preparar temas a serem apresentados ou para divulgar os trabalhos
- pessoas podem ser convidadas para ajudar a refletir sobre um assunto específico ou para coordenar uma atividade particular, como um trabalho corporal ou lúdico, etc.
- Como melhorar ou qualificar a prestação do serviço?
- Como é trabalhar em equipe nesse serviço? Existem equipes de fato?
- Como são as relações com os colegas de trabalho? E com os chefes?
- Qual o pior lugar para se trabalhar? E para ser atendido? O que os torna tão difícil de serem mudados?
- Como se da relação entre os profissionais e os familiares dos pacientes atendidos?
- Que projetos coletivos já existiram e foram benéficos, mas pararam, e quais estão sendo desenvolvidos e precisam ser fortalecidos?
- Como articular projetos setoriais interessantes dentro da instituição?
- Que parcerias seriam necessárias para melhorar a resolução dos problemas?
- Qual o nível de participação dos trabalhadores nas decisões do serviço?
- Como e por quem são tomadas as decisões, e quem define as regras e normas de cada setor?
- Quais são as normas sem sentidos que continuamos acatando?
O GTH propõe que os encontros sejam realizados num período definido e organiza uma agenda de prioridades para debates. Não há um tempo pré-definido para a duração de um GTH, ele pode durar anos e / ou se desdobrar em outros tipos de grupos ou propor outras ações.
Vejamos o caminho percorrido por um GTH para constituir-se como grupo:
A direção de um determinado serviço resolveu estimular a criação do GTH e convidou os funcionários para que fizessem uma primeira reunião, onde seriam discutidos: sua finalidade e seus objetivos, seu modo de operar, a periodicidade de encontros e a definição de uma coordenação dos trabalhos.
Nesse primeiro encontro, um funcionário perguntou por que só alguns haviam sido convidados, o que lhe causara certo mal-estar em relação aos outros colegas de trabalho. Surgiram em seguida algumas idéias para que a participação no grupo fosse ampliada, com a possibilidade de que pessoas interessadas tivessem acesso aos encontros. As análises feitas pelo grupo contribuíam para seguinte decisão, tomada por consenso: antes do próximo encontro, seria enviado (grampeado junto com o contracheque) a todos os funcionários da organização, um comunicado explicando a proposta do grupo de humanização, e ao mesmo tempo convidando aqueles que se sentissem motivados a participar da reunião seguinte. Definiu-se então uma dupla de funcionários que se responsabilizaria por elaborar o comunicado, imprimi-lo e fazê-lo chegar a todos. Também foi feito um cartaz para estimular os trabalhadores a conversarem entre si sobre o tema Humanização.
Nas reuniões seguintes, muitas pessoas vieram para o grupo com expectativas muito variadas e contribuições também diversas. Alguns encontros foram necessários para construir os objetivos, esclarecer e debater o modo de se trabalhar no grupo, bem como os critérios para participação, de forma a não causar desassistência em nenhum setor.
Aos poucos, algumas características dos encontros foram se transformando: a fala, que inicialmente tinha um tom predominante de queixas, denúncias, insatisfações de muitas naturezas, deu lugar a recuperação de idéias e projetos antigos, que haviam dado certo, ou eram reconhecidos como sendo importantes para usuários e trabalhadores, mas por algum motivo haviam sido paralisados. Passávamos então por uma fase de análise da instituição, aliada à produção de novas idéias e projetos, além da recuperação de projetos anteriores considerados humanizadores.
Ao longo dos primeiros seis meses de existência desse GTH, algumas pessoa se mantiveram como um núcleo mais persistente do grupo, e outros foram mudando: alguns novos chegavam, participavam de alguns encontros, e depois não continuavam. Pensamos que este é um caminho necessário e produtivo, pois o grupo mesmo vai se construindo a partir das entradas e saídas, e das constâncias. Ele vai adquirindo a sua própria cara, que é única, entre todos os GTHs existentes. Além disso, a confiança que vai sendo paulatinamente construída em seu interior possibilita que as pessoas falem de si mesmas, do trabalho e das relações de uma outra forma. O grau de aprofundamento de análise da realidade também era estimulado pela ação de pessoas convidadas e do próprio grupo, através da oferta de textos, oficinas e outros, para ampliar o conhecimento sobre questões em debate no grupo.
O trabalho ao longo do tempo adquiriu novas faces: momentos de maior reflexão, alternados com momentos de ações práticas (pesquisas, ações concretas e focalizadas). Assim foram surgindo propostas para melhorar a qualidade do atendimento, do acolhimento, para diminuir o tempo de espera para a resolução dos problemas, para aumentar a participação dos trabalhadores nos processos de tomada de decisão, para aumentar o grau de satisfação de trabalhadores e usuários.
Cartilha da PNH
Acolhimento com Classificação de Risco: Claudia Abbês e Altair Massaro - Brasília, Ministério da Saúde, 2004. (Série B: textos básicos de saúde)
Acolhimento é uma ação técnico-assistencial que pressupõe a mudança da relação profissional / usuário através de parâmetros técnicos, éticos, comunitários e de solidariedade.
O acolhimento é um modo de operar os processos de trabalho em saúde de forma a atender a todos que procuram os serviços de saúde, ouvindo seus pedidos e assumindo no serviço uma postura capaz de acolher, escutar e dar respostas mais adequadas aos usuários. Implica prestar um atendimento com resolubilidade e responsabilização, orientando, quando for o caso, o paciente e a família em relação a outros serviços de saúde para a continuidade da assistência e estabelecendo articulações com estes serviços para garantir o sucesso desses encaminhamentos.
"Constatar os problemas de saúde e tomá-los como desafio não é suficiente para imprimir as mudanças que possam traduzir a saúde como direito e patrimônio público da sociedade" (Merhey et al, 1999)
É preciso estabelecer no cotidiano o princípio da universalidade do acesso. Todos os cidadãos devem poder ter acesso aos serviços de saúde e a responsabilização das instâncias públicas pela saúde dos indivíduos. Isto deve ser implementado com a subseqüente constituição de vínculos entre os profissionais e a população, empenhando-se na construção coletiva de estratégias que promovam mudanças nas práticas do serviço, onde a defesa e afirmação de uma vida digna de ser vivida sejam adotadas como lema.
Tradicionalmente, a noção de acolhimento no campo da saúde tem sido identificada:
- ora a uma dimensão espacial, que se traduz em recepção administrativa e ambiente confortável;
- ora a uma ação de triagem administrativa e repasse de encaminhamentos para serviços especializados.
Ambas as noções têm sua importância, entretanto, quando tomadas isoladamente dos processos de trabalho em saúde, se restringem a uma ação pontual, isolada e descomprometida com os processos de responsabilização e produção de vínculo. Nesta definição tradicional de acolhimento, o objetivo principal é o repasse do problema, tendo como foco a doença e não o sujeito e suas necessidades.
Desdobra-se daí a questão do acesso aos serviços que, de modo geral, é organizado a partir das filas por ordem de chegada, sem avaliação do potencial de risco e agravo. Acresce-se a isto o fato de que alguns profissionais de saúde atendem preferencialmente uma clientela cativa em horários restritos, funcionando à moda privada, e num modelo centrado na figura do médico, sem ação de vínculo e responsabilidade.
Este funcionamento demonstra a lógica perversa na qual grande parte dos serviços de saúde vem se apoiando para o desenvolvimento do trabalho cotidiano. Lógica esta, que tem produzido falta de estímulo dos profissionais, necessidade de eles terem que se desdobrar em diferentes ocupações para suprir a falta de uma remuneração justa, menor qualidade da capacitação técnica pela não inserção do conjunto de profissionais ligados à assistência, a não integração de diferentes setores e projetos e a não articulação com a rede de serviços no sistema de encaminhamento de usuários a serviços especializados.
O que vemos é que este funcionamento tem produzido sofrimento e baixa na qualidade de vida não só dos usuários, mas também dos profissionais de saúde. A reversão deste processo nos convoca ao desafio de construirmos alianças éticas com a produção da vida, onde o compromisso singular com os sujeitos, usuários e profissionais de saúde esteja no centro desse processo.
O acolhimento como estratégia nos processos de trabalho
O acolhimento não é um espaço ou local, mas uma postura ética. Desse modo, ele não se constitui como uma etapa do processo, mas como uma ação que deve ocorrer em todos os locais e momentos do serviço de saúde. Colocar em ação o acolhimento como diretriz operacional requer uma nova atitude de mudança no fazer em saúde e implica:
- uma reorganização do serviço de saúde a partir da problematização dos processos de trabalho, de modo a possibilitar a intervenção de toda a equipe multiprofissional encarregada da escuta e resolução do problema do usuário;
- mudanças estruturais na forma de gestão do serviço de saúde, ampliando os espaços democráticos de discussão e decisão, de escuta, trocas e decisões coletivas;
- uma postura de escuta e compromisso em dar respostas às necessidades de saúde trazidas pelo usuário;
- construir coletivamente propostas com a equipe local e com a rede de serviços e gerências centrais e distritais.
Acolher com a intenção de resolver os problemas de saúde das pessoas que procuram uma unidade de saúde pressupõe que todas as pessoas que procuram a unidade, por demanda espontânea, deverão ser acolhidas por profissional da equipe técnica.
O profissional deve escutar a queixa, identificar riscos em situações problemáticas (escuta qualificada) e se responsabilizar para dar uma resposta ao problema. Neste funcionamento, o acolhimento deixa de ser uma ação pontual e isolada dos processos de produção de saúde e se multiplica em inúmeras outras ações que, partindo do complexo encontro do sujeito profissional de saúde e sujeito demandante, possibilitam analisar:
. a adequação da área física
. as formas de organização dos serviços de saúde
. a governabilidade das equipes locais
. a humanização das relações em serviço
. os modelos de gestão vigentes na unidade de saúde
. o ato da escuta / do ato da bondade
. o uso ou não de saberes para melhoria da qualidade das ações de saúde e o quanto estes saberes estão a favor da vida
O acolhimento com classificação de risco como dispositivo tecnológico e as mudanças possíveis no trabalho de atenção e produção de saúde.
O acolhimento como dispositivo técnico-assistencial permite refletir e mudar os modos de operar a assistência, pois questiona as relações clínicas no trabalho em saúde, os modelos de atenção e gestão e as relações de acesso aos serviços. Tais indagações objetivam:
- a melhoria do acesso dos usuários aos serviços de saúde mudando a forma tradicional de entrada por filas e ordem de chegada;
- a humanização das relações entre profissionais de saúde e usuários no que se refere à forma de escutar este usuário em seus problemas e demandas;
- uma abordagem integral a partir de parâmetros humanitários de solidariedade e cidadania;
- o aperfeiçoamento do trabalho em equipe com a integração e complementaridade das atividades exercidas por cada categoria profissional, buscando orientar o atendimento dos usuários aos serviços de saúde por riscos apresentados, complexidade do problema, grau de saber e tecnologias exigidas para a solução;
- o aumento da responsabilização dos profissionais de saúde em relação aos usuários e elevação dos graus de vínculo e confiança entre eles;
- a operacionalização de uma clínica ampliada.
Neste entendimento, o acolhimento com classificação de risco configura-se como uma das intervenções potencialmente decisivas na reorganização e implementação da promoção da saúde em rede, pois em sua implementação extrapola o espaço de gestão local afirmando, no cotidiano das práticas em saúde, a coexistência das macro e micropolíticas.
Alguns pontos críticos deste processo:
- Ampliar o acesso sem sobrecarregar as equipes, sem prejudicar a qualidade das ações, e sem transformar o serviço de saúde em excelente produtor de procedimentos.
- Superar a prática tradicional, centrada na exclusividade da dimensão biológica, de modo que amplie a escuta e que recoloque a perspectiva humana na interação entre profissionais de saúde e usuários.
- Reconfigurar o trabalho médico no sentido de superar o papel central que ele vem ocupando e integrá-lo no trabalho da equipe. Garantir que o médico compartilhe seu saber para um ganho na potência dos atos das demais categorias.
- Transformar o processo de trabalho nos serviços de saúde, no sentido de aumentar a capacidade dos trabalhadores de extinguir os problemas, identificar riscos de agravos, e adequar respostas à complexidade de problemas trazidos pelos usuários. Além disso, potencializar profissionais comuns e especializados, sem extrapolar as competências inerentes ao exercício profissional de cada categoria.
- Explicitar e discutir a proposta com a população, conjunto de profissionais e atores políticos de forma a ampliar a escuta para os pontos assinalados e as críticas na construção de novos saberes em saúde.
Algumas ferramentas teóricas disponíveis:
- Fluxograma analisador: "Diagrama em que se desenha um certo modo de organizar os processos de trabalho que se vinculam entre si em torno de uma certa cadeia de produção." (Merhy, E.)
- Foto das entradas no processo, etapas percorridas, saídas e resultados alcançados: análise do caso. Funciona como ferramenta para reflexão da equipe sobre como é o trabalho do dia-a-dia dos serviços.
- Oficinas de discussão e construção de ações com assento no trabalho grupal multiprofissional com a participação de equipe local e / ou consultorias externas.
- Elaboração de protocolos: sob a ótica da intervenção multiprofissional na qualificação da assistência, legitimando: inserção do conjunto de profissionais ligados à assistência, humanização do atendimento, identificação de risco por todos os profissionais, definição de prioridades e padronização de medicamentos.
Classificação de risco:
A classificação de risco é um processo dinâmico de identificação dos pacientes que necessitam de tratamento imediato, de acordo com o potencial de risco, agravos à saúde ou grau de sofrimento.
Justificativa:
Com a crescente demanda e procura de serviços de urgência e emergência, observou-se um enorme fluxo de circulação desordenada dos usuários nas portas do pronto-socorro, tornando-se necessária a reorganização do processo de trabalho deste serviço de saúde de forma a atender os diferentes graus de especificidade e resolubilidade na assistência realizada aos agravos agudos, de forma que a assistência prestada fosse de acordo com diferentes graus de necessidades ou sofrimentos e não mais impessoal e por ordem de chegada.
Objetivos da classificação de risco:
- Avaliar o paciente logo na chegada ao pronto-socorro, humanizando o atendimento
- Descongestionar o pronto-socorro
- Reduzir o tempo para atendimento médico, fazendo com que o paciente seja visto precocemente de acordo com a sua gravidade
- determinar a área de atendimento primário, devendo o paciente ser encaminhado diretamente às especialidades conforme protocolo. Exemplo: ortopedia, ambulatórios, etc
- informar os tempos de espera
- retornarem informações a familiares
Pré-requisitos necessários à implantação da central de acolhimento e classificação de risco:
- Estabelecimento de fluxos, protocolos de atendimento e classificação de risco.
- Qualificação das equipes de acolhimento e classificação de risco (recepção, enfermagem, orientadores de fluxo, segurança)
- Sistema de informações para o agendamento de consultas ambulatoriais e encaminhamentos específicos
- quantificação dos atendimentos diários e perfil da clientela e horários de pico
- adequação da estrutura física e logística das seguintes áreas de atendimento básico:
. área de emergência
. área de pronto atendimento
Emergência:
A área de Emergência, nesta lógica, deve ser pensada também por nível de complexidade, desta forma utilizando recursos tecnológicos e força de trabalho das equipes, atendendo ao usuário segundo sua necessidade específica.
- área vermelha: área devidamente equipada e destinada ao recebimento, avaliação e a estabilização das urgências e emergências clínicas e traumáticas. Após a estabilização, estes pacientes serão encaminhados para as seguintes áreas:
. área amarela: área destinada à assistência de pacientes críticos e semi-críticos, já com terapêutica de estabilização iniciada
. área verde: área destinada a pacientes não críticos, em observação ou internados, aguardando vaga nas unidades de internação ou remoção para outros hospitais de retaguarda.
Pronto Atendimento:
- área azul: área destinada ao atendimento de consultas de baixa e média complexidade
. área de acolhimento com fluxo obrigatório na chegada
. área física que favoreça a visão dos que esperam por atendimento de baixa complexidade, seguindo-se os conceitos de ambiência
. consultório de enfermagem, classificação de risco e procedimentos iniciais com os seguintes materiais para o atendimento às eventuais urgências:
monitor e eletrocardiógrafo
oxímetro de pulso
glucosímetro
ambú adulto e infantil
material de intubação adulto e infantil e
material de punção venosa
drogas e soluções de emergência
prancha longa e colar cervical
consultórios médicos
serviço social
sala de administração de medicamentos e inaloterapia
consultório para avaliação de especialidades
Central de Acolhimento com classificação de risco:
O usuário ao procurar o Pronto Atendimento, deverá direcionar-se à Central de Acolhimento que terá como objetivos:
- direcionar e organizar o fluxo através da identificação das diversas demandas do usuário
- determinar as áreas de atendimento em nível primário (ortopedia, suturas, consultas)
- acolher pacientes e familiares nas demandas de informações do processo de atendimento, tempo e motivo de espera
Avaliação primária, baseada no protocolo de situação queixa, encaminhando os casos que necessitam para classificação de risco pelo enfermeiro. Importante destacar que esta avaliação pode se dar por explicitação dos usuários ou pela observação de quem acolhe, sendo necessária capacitação específica para este fim, não se entende aqui processo de triagem, pois não se produz conduta e sim direcionamento à classificação de risco.
A Central de Acolhimento tem sua demanda atendida imediatamente, sem precisar esperar consulta médica (procura por exames, consultas ambulatoriais, etc), evitando atendimento médico de forma desnecessária.
Após o atendimento inicial, o paciente é encaminhado para o consultório de enfermagem, onde a classificação de risco é feita baseada nos seguintes dados:
- Situação / Queixa / Duração (QPD)
- breve histórico (relatado pelo próprio paciente, familiar ou testemunhas)
- uso de medicações
- verificação de sinais vitais
- exame físico sumário, buscando sinais objetivos
- verificação da glicemia, eletrocardiograma se necessário
A classificação de risco se dará nos seguintes níveis:
- vermelho: prioridade zero - emergência, necessidade de atendimento imediato
- amarelo: prioridade 1 - urgência, atendimento em no máximo 15 minutos
- verde: prioridade 2 - prioridade não urgente, atendimento em até 30 minutos
- azul: prioridade 3 - consultas de baixa complexidade - atendimento de acordo com o horário de chegada - tempo de espera pode variar até 3 horas de acordo com a demanda desses atendimentos, urgências e emergências.
A identificação das prioridades é feita mediante adesivo colorido colocado no canto superior direito do boletim de emergência.
Um exemplo de protocolo para classificação de risco:
Vermelhos: pacientes que deverão ser encaminhados diretamente à sala vermelha (emergência) devido à necessidade de atendimento imediato.
Situação / Queixa:
- Politraumatizado grave – lesão grave de um ou mais órgãos e sistemas ; ECG <12;
- Queimaduras com mais de 25% de área de superfície corporal queimada ou com problemas respiratórios;
- Trauma Crânio Encefálico grave – ECG < 12 ;
- Estado mental alterado ou em coma ECG < 12; história de uso de drogas;
- Comprometimentos da Coluna Vertebral ;
- Desconforto respiratório grave ;
- Dor no peito associado à falta de ar e cianose (dor em aperto, facada, agulhada com irradiação para um ou ambos os membros superiores, ombro, região cervical e mandíbula, de início súbito, de forte intensidade acompanhada de sudorese, náuseas e vômitos ou queimação epigástrica, acompanhada de perda de consciência, com história anterior de IAM, angina, embolia pulmonar, aneurisma ou diabetes; qualquer dor torácica com duração superior a 30 minutos, sem melhora com repouso).
- Perfurações no peito, abdome e cabeça;
- Crises convulsivas (inclusive pós-crise);
- Intoxicações exógenas ou tentativas de suicídio com Glasgow abaixo de 12 (doze);
- Anafilaxia ou reações alérgicas associadas à insuficiência respiratória ;
- Tentativas de suicídio;
- Complicações de diabetes (hipo ou hiperglicemia);
- Parada cardiorrespiratória;
- Alterações de Sinais Vitais em paciente sintomático.
Pulso > 140 ou < 45
PA diastólica < 130 mmHg
PA sistólica < 80 mmHg
FR > 34 ou < 10
- Hemorragias não controláveis
- Infecções graves – febre, exantema petequial ou púrpura, alteração do nível de consciência.
Há muitas condições e sinais perigosos de alerta, chamadas bandeiras vermelhas, que deverão ser levados em consideração, pois podem representar condições em que o paciente poderá piorar repentinamente.
- Acidentes com veículos motorizados acima de 35 Km/h;
- Forças de desaceleração tais como quedas ou em explosões;
- Perda de consciência, mesmo que momentânea, após acidente;
- Negação violenta das óbvias injúrias graves com pensamentos de fugas e alterações de discurso e, ocasionalmente, com respostas inapropriadas;
- Fraturas da 1 ª e 2ª costela;
- Fraturas 9ª , 10ª , 11ª costela ou mais de três costelas
Possível aspiração
Possível contusão pulmonar
Óbitos no local da ocorrência
Amarelo: pacientes que necessitam de atendimento médico e de enfermagem o mais rápido possível, porém não correm riscos imediatos de vida. Deverão ser encaminhados diretamente à sala de consulta de enfermagem para classificação de risco.
Situação / Queixa:
- Politraumatizado com Glasgow entre 13 e 15 ; sem alterações de sinais vitais;
- Cefaléia intensa de início súbito ou rapidamente progressiva, acompanhada de sinais ou sintomas neurológicos, paraestesias, alterações do campo visual, dislalia, afasia;
- Trauma cranioencefálico leve (ECG entre 13 e 15);
- Diminuição do nível de consciência;
- Alteração aguda de comportamento – agitação, letargia ou confusão mental;
- História de Convulsão / pós ictal – convulsão nas últimas 24 (vinte e quatro) horas;
- Dor torácica intensa;
- Antecedentes com problemas respiratórios, cardiovasculares e metabólicos (diabetes);
- Crise Asmática;
- Diabético apresentando sudorese, alteração do estado mental, visão turva, febre, vômitos, taquipnéia, taquicardia;
- Desmaios;
- Estados de pânico, overdose;
- Alterações de Sinais Vitais em paciente sintomático;
a – FC < 50 ou > 140
b - PA sistólica < 90 ou > 240
c – PA diastólica > 130
d – T < 35 ou. 40
- História recente de melena ou hematêmese ou enterorragia com PA sistólica, 100 ou FC 120.
- Epistaxe com alteração de sinais vitais;
- Dor abdominal intensa com náuseas e vômitos, sudorese , com alteração de sinais vitais (taquicardia ou bradicardia, hipertensão ou hipotensão , febre).
Sangramento vaginal com dor abdominal (...?gravidez)
- Náuseas / Vômitos e diarréia persistente com sinais de desidratação grave – letargia, mucosas ressecadas, turgor pastoso, alteração de sinais vitais;
-Desmaios;
- Febre alta (39/40.º C)
- Fraturas anguladas e luxações com comprometimento neurovascular ou dor intensa;
- Intoxicação exógena sem alteração de sinais vitais, Glasgow de 15;
- Vítimas de abuso sexual;
- Imunodeprimidos com febre .
Verdes: pacientes em condições agudas (urgência relativa) ou não agudas, atendidos com prioridade sobre consultas simples - espera até 30 minutos.
- Idade superior a 60 anos;
- Gestantes com complicações da gravidez;
- Pacientes escoltados;
- Pacientes doadores de sangue;
- Deficientes físicos;
- Retornos com período inferior a 24 horas devido a não melhora do quadro;
- Impossibilidade de deambulação;
- Asma fora de crise;
- Enxaqueca – pacientes com diagnóstico anterior de enxaqueca;
- Dor abdominal sem alteração de sinais vitais;
- Sangramento vaginal sem dor abdominal ou com dor abdominal leve;
- Vômitos e diarréia sem sinais de desidratação;
- História de convulsão sem alteração de consciência;
- Lombalgia intensa;
- Abcessos;
- Distúrbios neurovegetativos;
Intecorrências ortopédicas (entorse suspeita de fraturas, luxações).
Pacientes com ferimentos deverão ser encaminhados diretamente para a sala de sutura.
Azuis: demais condições não enquadradas nas situações / queixas acima
- Queixas crônicas sem alterações agudas;
- Procedimentos como: curativos, trocas ou requisições de receitas médicas, avaliação de resultados de exames, solicitações de atestados médicos.
Após a consulta médica e medicação, o paciente é liberado.
Roteiros: Exemplos de roteiros de avaliação para classificação de risco:
Situação / Queixa: o paciente queixa-se de:
- Cefaléia
- Tontura / fraqueza
- Problemas de coordenação motora
- Trauma cranioencefálico leve / moderado
- Diminuição no nível de consciência / desmaios
- Distúrbios visuais (diplopia, dislalia, escotomas, hianopsia)
- Confusão Mental
- Convulsão
- Paraestesias e paralisias de parte do corpo
História passada de:
- Pressão Arterial Alta; Acidente Vascular Cerebral; Convulsões; Trauma cranioencefálico; Trauma raquimedular; Meningite; Encefalite; Alcoolismo; Drogas.
Medicamentos em uso:
O paciente deverá ser avaliado em relação:
- Nível de consciência: consciente e orientado; consciente desorientado; confusão mental; inquieto
- Discurso: claro; incoerente e desconexo; deturpado; dificuldade de falar; Responsivo ao nome, sacudir, estímulos dolorosos apropriados ou desapropriados
- Pupilas: Fotorreagentes
Isocórica, anisocorica,miose,midríase, ptose palpebral
Movimento ocular para cima e para baixo / esquerda e direita
- Habilidade em movimentar membros superiores e membros inferiores
- Força muscular: Paraestesias / plegias / paresias
Dificuldade de engolir, desvio de rima
Tremores
Convulsões
- Verificação dos sinais vitais: PA, pulso, respiração, temperatura
* Pacientes deverão ser encaminhados para área vermelha.
Avaliação Cardiorrespiratória
Situação/Queixa: pacientes com queixas de
- Tosse produtiva ou não; Dificuldades de respirar / cianose; Resfriado recente; Dor torácica ; intensa (ver mnemônico de avaliação); Fadiga; Edema de extremidades; Taquicardia; Síncope
História passada de :
- Asma / Bronquite; Alergias; Enfisema; Tuberculose; Trauma de tórax; Problemas cardíacos; Antecedentes com problemas cardíacos; Tabagismo
Mnemônico para avaliação da dor torácica: PQRST
- P - O que provocou a dor? O que piora ou melhora?
- Q - Qual a qualidade da dor? Faça com que o paciente descreva a dor, isto é, em pontada, contínua, ao respirar, etc
- R - A dor tem aspectos de radiação? Onde a dor está localizada?
- S - Até que ponto a dor é severa? Faça com que o paciente classifique a dor numa escala de 1 a 10.
- T - Por quanto tempo o paciente está sentindo a dor? O que foi tomado para diminuir a dor?
Associe história médica passada de: doença cardíaca ou pulmonar anterior, hipertensão, diabetes e medicamentos atuais
Sinais vitais: Verifique PA e P. Observe hipotensão, hipertensão, pulso irregular, ritmo respiratório, cianose, perfusão periférica
Procedimentos diagnósticos: monitorização cardíaca e eletrocardiograma, oximetria
Encaminhamento para área vermelha:
- Dor torácica ou abdome superior acompanhada de náuseas, sudorese, palidez
- Dor torácica com alteração hemodinâmica
- Dor torácica e PA sistólica superior ou igual 180, PAD igual ou superior a 120
- Pulso arrítmico ou FC superior a 120 bpm
- Taquidispnéia, cianose, cornagem, estridor (ruídos respiratórios)
- FR menor que 10 ou superior a 22
Classificação de dor abdominal aguda:
- A dor abdominal aguda é uma queixa comum, caracterizando-se como sintoma de uma série de doenças e disfunções.
- Obtém a descrição da dor no que se refere a: localização precisa; aparecimento; duração; qualidade; severidade; manobras provocativas ou paliativas
. sintomas associados: febre, vômitos, diarréia, disúria, secreção vaginal, sangramento
Em mulheres em idade fértil, considerar a história menstrual e tipo de anticoncepção.
Relacione a dor com:
- Ingestão de medicamentos (particularmente antiinflamatórios e aspirina)
- Náuseas e vômitos
- Ingestão de alimentos (colecistite,ulcera)
- Sangramentos
- Disúria / urgência urinária / urina turva / hematúria / sensibilidade supra pública
Observe :
- Palidez, cianose, icterícia ou sinais de choque
- Posição do paciente (exemplo: na cólica renal o paciente se contorce)
- Distensão, movimento da parede abdominal, presença de ascites
- Apalpe levemente atentando para resistências, massas, flacidez e cicatrizes
Sinais vitais: observe hiperventilação ou taquicardia, pressão arterial, temperatura
Procedimentos diagnósticos: análise de urina
Eletrocardiograma: pacientes com história de riscos cardíacos
Encaminhamento para a Área Vermelha :
- Dor mais alteração hemodinâmica
- PAS menor que 90 ou maior que 180 / FC maior que 120 e menor que 50 / PAS > = 180
- Dor mais dispnéia intensa
- Dispnéia intensa
- Vômitos incoercíveis, hemetêmese
Avaliação da saúde mental
- Uma avaliação rápida da saúde mental consiste na avaliação das seguintes aspectos: aparência; comportamento; discurso; pensamento, conteúdo e fluxo; humor; percepção; capacidade cognitiva; história de dependência química
- Aparência: arrumada ou suja; desleixado, desarrumado; roupas apropriadas ou não; movimentos extraoculares
- Comportamento: estranho; ameaçador ou violento; fazendo caretas ou tremores; dificuldades para deambular; agitação
Pensamentos
- Conteúdo: Suicida, Ilusional, Preocupação com o corpo, Preocupação religiosa
- Fluxo: Aleatório, ao acaso; Lógico; Tangencial
- Discurso: velocidade; tom; quantidade
- Humor: triste; alto; bravo; com medo; sofrendo
- Capacidade cognitiva: orientado; memória; função intelectual; insight ou julgamento
- Percepção: baseado na realidade; ilusões; alucinações
- Agitação piscomotora
- Antecedentes psiquiátricos
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