Disciplina de Psicologia e Políticas Públicas

Cadeira de Férias!!!!!!!!!!!!!!!

Profa. Loiva De Boni dos Santos

"Diário de Bordo" Aventura em busca de um novas possibilidades!











quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Fórum social Mundial Descentralizado na Serra - VAMOS????

CRPRS programa atividades no Fórum Social Mundial Descentralizado da Serra



Dentro da Programação do Fórum Social Mundial Descentralizado da Serra o Conselho Regional de Psicologia (CRPRS), através da sua Subsede Serra, irá promover Mesa Redonda e Rodas de Conversa sobre temas ligados à saúde mental, cidadania e direitos humanos. O encontro acontecerá em Bento Gonçalves, nos dias 23 e 24 de janeiro.

Na manhã do dia 24 (domingo), o CRP estará disponibilizando um ônibus, a partir de Caxias do Sul, para conduzir psicólogos, trabalhadores e usuários da rede de saúde mental ao evento em Bento Gonçalves. “Este encontro poderá ser um grande movimento de mobilização para implantarmos o Fórum de Saúde Mental da Região da Serra”, afirma a conselheira-presidente do CRP, psicóloga Loiva Maria De Boni Santos.

Programação
Sábado (23) à tarde:
Mesa Redonda sobre Trabalho e Direitos Humanos.
Palestrantes:
Rogério Oliveira - Presidente do CRPMG - Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais;
Maria da Graça Jacques, representando o CRPRS;
José Novaes - Conselheiro do CRPRJ - Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro;
Coordenadora de Mesa: Loiva Maria De Boni Santos - Presidente CRPRS.

Domingo (24) pela manhã:
Rodas de Conversa:
1) As Políticas Públicas de Saúde Mental na perspectiva dos Direitos Humanos e Controle Social
Palestrantes: Neuza Guareschi - PUC-RS;
Sandra Fagundes - Consultora do Ministério da Saúde para a área de SM;
Loiva Maria De Boni Santos.

2) A Política Nacional de Humanização do SUS: produzindo redes e grupalidades na Serra Gaúcha
Carolina Santos Silva - Apoiadora Institucional da Humanização do SUS e Mestranda de Epidemiologia da UFRGS;
Loiva Maria De Boni Santos - Conselheira Presidente do CRPRS, docente da Faculdade da Serra Gaúcha e Apoiadora institucional da Humanização do SUS;
Erika Pereira Óss - Enfermeira coordenadora da Estratégia de Saúde da Família de Farroupilha e Apoiadora Institucional da Humanização do SUS.

Local: Casa das Artes (ao lado do Hotel Dall Onder)
Rua Erny Hugo Dreher, 127 - Bairro Planalto
Bento Gonçalves - RS

Site do Fórum para inscrição http://www.fsmserragaucha.com.br/home.php

Outras informações e confirmação do ônibus (até dia 21): com Viviane Pinheiro, SubSede Caxias do CRPRS, fone (54) 3223-7848. Ou pelo e-mail: caxias@crprs.org.br



PROGRAMAÇÃO

DATA
HORÁRIO
ATIVIDADES

Sexta a domingo, de 22 a 24 de janeiro

* Acampamento da Juventude
Local: Escola Landell de Moura

9h às 20h
* I Feira Regional de Economia Solidária da Serra Gaúcha
Local: Rua Dr. Rolando Gudde, atrás da Fundação Casa das Artes

Sexta, 22 de janeiro
13h30 às 18h30
* I Fórum Regional de Legisladores e Gestores Públicos Locais
Local: Dall´Onder Grande Hotel

17h às 21h
* Recepção, inscrições e credenciamento.
* Entrega do quilo de alimento não perecível.
* Entrega da bandeira para confecção da Bandeira das Bandeiras.
Local: Ginásio Municipal de Esportes e Fundação Casa das Artes

17h
* Performance Cultural
- Os Pássaros, Teatro de Rua
Local: em frente ao Ginásio Municipal de Esportes

19h ás 22h
* Apresentaçõe Artísticas:
- Everton Pires, Saulo Fietz e Nadia Thalji
- Projeção de Imagens do Fórum Social Mundial
- Ópera Pampa e participação de: Alemão Velliaria, Jorge Oliveira e convidados.
Local: Ginásio Municipal de Esportes

19h30
* Ato de Abertura do Fórum Social Mundial da Serra Gaúcha
Local: Ginásio Municipal de Esportes

20h30
* Lançamento do livro e sessão de autógrafos de Marcos Arruda: “Educação para uma Economia do Amor - A Formação do Ser Humano Integral: Educação da Práxis e Economia Solidária”
Local: Ginásio Municipal de Esportes

22h
* Apresentações e Integração Cultural no Acampamento da Juventude
Local: Escola Landell de Moura

Sábado 23
8h às 13h30
* Recepção, inscrições e credenciamento.
* Entrega do quilo de alimento não perecível.
* Entrega da bandeira para confecção da Bandeira das Bandeiras.
Local: Ginásio Municipal de Esportes e Fundação Casa das Artes

8h30
* Conferência:
“Tornando real uma outra sociedade possível”
Conferencista: Marcos Arruda – PACS (Rio de Janeiro)
Local: Ginásio Municipal de Esportes

10h
* Intervenções do Plenário

11h
* Encaminhamentos para os Eixos Temáticos
Local: Ginásio Municipal de Esportes

13h30 às 18h
* Debates dos Eixos Temáticos:
- Economia Solidária: CTG Laço Velho
- Educação: Dall´Onder Grande Hotel
- Reforma Urbana: Auditório da Licorsul
- Sustentabilidade e Viabilidade da Agricultura Familiar: Ginásio Municipal de Esportes
- Saúde e Qualidade de Vida: Anfiteatro da Fundação Casa das Artes
- Mundo do Trabalho: Salão da Fenavinho
- Turismo Sustentável: Dall´Onder Grande Hotel
- Cidadania e Segurança: Auditório do CPERS
- Cultura: Cinema da Fundação Casa das Artes
- Participação Popular e Cidadania: APAE

18h30
* Marcha dos Movimentos Sociais, com a Bandeira das Bandeiras
TRAJETO: Fundação Casa das Artes - Via del Vino

18h às
21h30
* Noite Cultural
- Pronunciamentos e Ato Simbólico
- Participações artísticas confirmadas:

Ricardo Pacheco e Pedro Jr da Fontoura
Pietro Ferreti e Banda
Grupo Tamoeiro
Pedro Munhoz
Cardo Peixoto
Dança Indiana com artistas de Serafina Correia
Saulo Fietz
Jack Hoff
Vinicius Ben e Banda
Os Bardos da Pangéia
Local: Via del Vino

Domingo,
24
8h às 12h
* Oficinas

9h às 11h
* Construção do Marco do Fórum Social Mundial Serra Gaúcha, mosaico de elementos
Local: em frente ao Ginásio Municipal de Esportes

11h
* Plenária Final
Local: Ginásio Municipal de Esportes

12h
* Leitura da Carta dos Movimentos Sociais
* Ato cultural de encerramento
Local: Ginásio Municipal de Esportes

Oficinas :

23/01/2010
Eixo Turismo Sustentável
16h30min: Pólo de Aventura da Serra Gaúcha
Local: Dall´Onder Grande Hotel

24/01/2010
Eixo Cultura
Oficina Literária para Crianças
Coordenação: Pedro Jr da Fontoura
Local: Biblioteca Castro Alves

Eixo Saúde e Qualidade de Vida:
Saúde Bucal
ONG Dentistas do Bem
Reyki e Florais
Flávia Possamai
Alimentação saudável e sustentável
Clara Brandão, Pastoral da Criança e Saúde
Quiropraxia
Silvana Furlaneto
Local: Fundação Casa das Artes

Eixo Sustentabilidade e Viabilidade da Agricultura Familiar:
8h: Exposição Fotográfica sobre o Meio Ambiente e distribuição de mudas de árvores. Promotora: ABEPAN – Bento Gonçalves
9h às 11h30min: Oficina I – 45 participantes
Visita técnica a propriedade de Agricultura Familiar Orgânica (Hortaliças).
9h às 11h 30min: Oficina II – 45 participantes
Visita técnica a propriedade de Agricultura Familiar Orgânica (Fruticultura) .



SITE: WWW.fsmserragaucha. com.br

“A pobreza extrema do Haiti é uma construção histórica bi-centenária”

Um terremoto oportuno?


“A pobreza extrema do Haiti é uma construção histórica bi-centenária”



As imagens das TVs de todo o mundo mostram um verdadeiro inferno. Destruição total, corpos estirados, homens e mulheres aos prantos. Os relatos dos repórteres nos jornais que foram a campo não são diferentes. Saques a supermercados, violência, desespero.




Quase em uníssono, os meios decretaram: os efeitos do terremoto de 7 graus na escala Richter ocorrido no dia 12 no Haiti são ainda mais graves devido à extrema pobreza em que vive a população do país, o de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do hemisfério ocidental. A análise um tanto óbvia não é incorreta, mas a imprensa em geral “esqueceu-se” de explicar o porquê de tanta miséria, praticamente naturalizando o subdesenvolvimento acentuado do Haiti.




“É preciso que se diga que se, de fato, as causas da tragédia são naturais, nem todos os efeitos o são”, opina Aderson Bussinger Carvalho, advogado e ex-conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que visitou o país em julho de 2007. “É preciso saber que indústrias exploram a mão-de-obra barata haitiana, cujos produtos são exportados para o mercado dos EUA, assegurando imensos lucros que não se revertem em favor do povo. As casas construídas somente com areia, a ausência de hospitais, a falta de luz e água... tudo isso vem de antes do terremoto”, afirma.




Pobreza extrema

Atualmente, 80% dos haitianos vivem abaixo da linha de pobreza, sendo que 54% se encontram na extrema pobreza. A mortalidade infantil é de cerca de 60 mortes para cada mil nascimentos (no Brasil, a proporção está em torno de 22 para mil), a expectativa de vida é de 60 anos e o analfabetismo atinge 47,1% da população.




Além disso, o país sofre com a falta de infra-estrutura e indústria nacional. As estradas são bastante precárias, assim como as áreas de energia, telecomunicações e transporte. Dois terços dos haitianos dependem da agropecuária para sobreviver, enquanto apenas 9% trabalham em fábricas, em sua maioria nas chamadas maquiladoras, unidades especializadas em produção de manufaturados para exportação que se utilizam de mão-de-obra barata. “Durante o ano de 2009, percorremos todo o Haiti. Nossa brigada percorreu dez departamentos e conhecemos a situação de pobreza em que vive a imensa maioria da sociedade haitiana”, relata José Luis Patrola, militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e integrante da Brigada Internacionalista Dessalines da Via Campesina, que atua com as organizações camponesas do país.




Triste e estranha realidade para uma nação que foi a segunda das Américas a se tornar independente (da França) e a primeira a abolir a escravidão, em 1804. Ou seja, que tinha tudo para oferecer uma vida digna para seus habitantes.




Construção histórica

“A pobreza extrema do Haiti é uma construção histórica bi-centenária, produto da incessante intervenção colonialista e imperialista, em boa parte devido precisamente a ter sido o Haiti a primeira e única nação negreira onde os trabalhadores escravizados insurrecionados obtiveram a liberdade. Isso após derrotar expedições militares francesa, inglesa e espanhola”, explica Mário Maestri, historiador e professor do Programa de Pós Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul.




Segundo ele, a partir de então, o Haiti passou a ser temido pelos EUA, pois poderia servir como exemplo aos escravos estadunidenses. Assim, o país passou a “ser objeto de bloqueio quase total, desde seus primeiros anos, pelas nações metropolitanas e americanas independentes. Já em 1825, foi obrigado a pagar, sob pena de agressão militar, pesadíssima indenização à França. Conheceu nas décadas seguintes intervenções militares dos EUA, que, mesmo após a desocupação, em 1934, transformaram o país em semi-colônia, sobretudo através das sinistras ditaduras dos Duvaliers, Papa-Doc e seu filho [entre 1957 e 1986]”.




De acordo com Osvaldo Coggiola, professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP), o Haiti não é uma exceção na região em que se encontra, mas um caso extremo da dominação imposta pelos países centrais do capitalismo. Assim, para ele, “atribuir seus males à incapacidade da sua população, descendente de escravos forçados a trabalhar na ilha pelos colonialistas franceses, é um conceito abertamente racista. A classe dominante, ela sim, é corrupta até a medula. Se chegar ajuda para o governo local, vão roubar, para vender e chantagear a população”.




Casas amontoadas

Além da pobreza, outro fator vem sendo apontado como potencializador dos efeitos do terremoto, embora ambos estejam fortemente vinculados: a grande quantidade de pessoas vivendo nas cidades (especialmente na capital, Porto Príncipe) em casas amontoadas e construídas precariamente, o que fez com que desabassem mais facilmente. Segundo Patrola, o desastre deixou evidente a precaridade do sistema urbano no Haiti. “Porto Príncipe e as favelas de Cité Soleil e Bel-air foram construídas de forma espontânea com a ausência de recursos mínimos de construção civil. Isso potencializou a destruição”.




Aqui, outra triste e estranha realidade: como se explica que um país cuja agricultura representa 28% do PIB (no Brasil, esse índice é de 7%) possua um índice de êxodo rural tão acentuado e tenha 47% de sua população vivendo na zona urbana?




“Pela eliminação das culturas agrárias locais pelos produtos importados, inclusive os das famosas 'ajudas internacionais'. O subdesenvolvimento eliminou as florestas locais, pois o carvão é quase a única fonte de energia no interior. Em 1970, o Haiti era quase auto-suficiente em alimentação, hoje importa 60% do que come”, responde Osvaldo Coggiola. Segundo dados da ONU, entre 2005 e 2010, a população das cidades haitianas cresceu 4,5% por ano.




Migração

O historiador Mário Maestri explica que a revolução de 1804 teve como consequência a divisão dos latifúndios existentes em lotes familiares, que retomaram as tradições camponesas africanas, proporcionando uma independência alimentar. No entanto, “as intervenções imperialistas, com a colaboração das frágeis e corruptas elites negras e mulatas, desdobraram-se para metamorfosear a agricultura familiar-camponesa em mercantil. Levantes camponeses foram duramente reprimidos, para reconstituir a grande propriedade”, diz.




Patrola, da brigada da Via Campesina no Haiti, responsabiliza ainda as políticas neoliberais mais recentes pelo “desmonte” do campo. “A abertura comercial está destruindo a agricultura haitiana. O Haiti é o quarto importador de arroz dos Estados Unidos”, diz.




O resultado de todo esse processo vem sendo uma grande migração para a cidade. E hoje, de acordo com Maestri, as enormes massas de miseráveis urbanos são vistas como mão-de-obra extremamente barata para as indústrias maquiladoras que se estabeleceram no Haiti.








em: brasil de fato